domingo, 18 de novembro de 2012

• Capítulo 13

– E você acha que se nós tivéssemos apenas zoando, estaríamos com a cara desse jeito? - Kate revirou os olhos.

– Vocês não estavam sonhando não? - Perguntou Nathan.

– Ah meninas, isso é um tanto quanto... estranho.
– Elas querem chamar a atenção. - Paige me encarou.
– Vai se foder, ninguém te chamou pra conversa.

– Educação mandou lembrança. - Ela ergueu uma sobrancelha.

– E eu mandei você ir se foder!

Paige ficou com uma cara de cu depois do que eu respondi e resolveu voltar pra cima. Ela e Naomi.

– E o ar volta a ser puro novamente. - Kate respirou fundo.

– Enfim.. Meninos, nós gravamos a risada! - Nic disse pegando o celular.
Assim que ela pois pra reproduzir, não fez barulho nenhum. Ficamos completamente boquiabertas, aquilo não era possível, não mesmo.

– Continuo achando que vocês estão nos zoando ou sonharam. - Max afirmou.

– Mas não é possível, nós não estávamos sonhando, era real! - Falei olhando para todos.

– Eu até que acredito - Siva se pronunciou na conversa.

– Isso! Alguém com bom senso nesse lugar. - Katherine falou erguendo as mãos para o alto.

– Siva não vale, ele acredita em fantasmas. - Ele vai acreditar em qualquer coisa que vocês falarem. - Tom comentou.

– Tá bom, tá bom, quando vocês ouvirem vão ver só. - Kate respondeu dando um leve tom de ameaça nas palavras.

– Nossa que medo dela. - Max disse irônico.

– Nhe nhe nhe, "que medo dela." Cala a boca! - Ela revirou os olhos.

Ficamos um tempo na cozinha discutindo sobre o assunto e ninguém acreditava em nós, apenas Siva. Depois resolvemos ir para sala.

– Kate, estamos ficando loucas? - Olhei pra ela enquanto me sentava no sofá.

– Cara, não sei. Impossível não ter gravado a risada.. Mais louca do que já sou não dá, definitivamente não dá.

– Somos burras! - Exclamou Dominic. - Se são assombrações, fantasmas seja lá o que for, é impossível gravar. Precisa de um aparelho especializado para isso. Na hora estávamos tão nervosas que nem lembramos desse detalhe.

Ela estava certa. Comecei a achar que era coisa da minha cabeça, fiquei calada pensando nessa tal risada. Por que ninguém ouviu? O que era aquilo? Eu estava sonhando? Estava louca? Milhões de perguntas invadiram minha mente.

– Ei, psiu! - Senti uma voz no pé do meu ouvido, me fazendo arrepiar. - Você ouviu mesmo aquela risada, sei lá? - Nathan perguntou se sentando no sofá ao meu lado.

– Creio que sim. Mas de tanto vocês falarem na nossa orelha, estou repensando sobre a idade de nós três estarmos malucas.

– Isso é estranho. Não acredito nessas coisas, nunca vivi uma experiência dessas, então.. - Nós dois permanecemos calados por algum minutos, apenas pensando sobre a risada.

– Vamos assistir filme? - Katherine quebrou o silencio da sala e todos concordaram animados.

Passamos o resto da tarde vendo filmes de comédia, riamos muito, não tanto pelo filme mas sim pelos meninos, que ficavam fazendo piadinhas e imitando os personagens.
Minha risada, da Kate e do Tom conseguiam ser as mais escandalosas. Tinha vezes que Katherine ficava batendo em sua coxa perna e rindo sem som parecendo aquele personagem de desenho Muttley. Tom praticamente pulava do seu lugar pra rir, e eu ficava batendo no sofá e afundando minha cabeça nas almofadas.

– Cara, vocês não são normais - Nathan comentou meio assustado.

– E você é muito né, querido? - O encarei.

– Essa aqui parece que esta tendo um ataque epilético. - Max apontou pra Kate.

– Se fecha!

– Vocês são muito escandalosos. - Naomi revirou os olhos.

– Quem pisou na merda e começou a berrar aqui mesmo? Ata. - Kate a encarou.

Todos fizeram o máximo de esforço para segurar a risada, exceto eu e Tom. Naomi praticamente nos estraçalhou com seu olhar. Depois de vermos os filmes eu estava caindo de sono, já era tarde e depois de tudo aquilo, não estava com nenhuma fome.

– Quero dormir. - Falei tombando a cabeça para trás. - Acho que lá pra cima.

– Vai logo que daqui a pouco estamos subindo. - Kate e Dominic disseram.

– Prefiro esperar vocês então.

– Por que? - Dominic me olhou confusa.

– Desculpa, mas sozinha eu não fico mais em nenhum comodo dessa casa. - Ri pelo nariz.

Ficamos por alguns minutos lá na sala e logo subimos. Deitamos na cama e desmaiamos, afinal, a noite passada foi foda.
JAY'S POV

Eu e os meninos resolvemos dormir logo após que as meninas subiram. Deitamos e pegamos. Estávamos dormindo tão bem, até que ouvi um barulho que me fez despertar rapidamente. Olhei para os lados e estavam todos dormindo, deveria ter ficado louco. Bom, resolvi me deitar novamente e tentar pegar no sono.. Mas não deu muito certo. Continuei ouvindo barulhos de correstes se arrastando pelo corredor, permaneci paralisado na cama, mal respirava. Quando vi que o barulho foi ficando mais fraco, tratei de ascender a luz e chamar o Tom. Por um segundo pensei que essa história de fantasmas tinha me afetado.


– Tom, acorda! - Cutuquei ele. - Acorda, caralho. To ouvindo um barulho!

– O que foi? - Ele levantou a cabeça, abrindo os olhos com dificuldade. 

– Ouvi um barulho estranho, to com medo. 

– Ta me zoando né?

– Não, velho, eu acordei com ele. 

– Você deve ter sonhado, vira de lado e volta a dormir. - Tom respondeu se cobrindo e fechando os olhos.

De repente ouvimos alguns passos no corredor e uma risada feminina, parecia ser de criança. Tom rapidamente se levantou e olhou pra mim:

– Você ouviu?

– Sim. - Falei incrédulo. 

– Fodeu, acorda os outros.

Me descobri e sai da cama, fui cutucando cada um até eles acordarem.

– Nem dormir eu posso mais, são três da manhã. - Nathan falou revoltado.

– Alguém morreu? - Siva perguntou confuso.

– Ouvimos barulhos. - Tom respondeu olhando pros lados.

– Vocês tão de brincadeira comigo? Os dois no minimo devem ter sonhado. 

– Que barulho? - Siva cobriu a cabeça.

– Eu ouvi passos e uma risada, o Jay apenas ouviu correntes se arrastando.

Nathan começou a rir e falar que era tudo alucinação da nossa mente. 

– Vocês sonharam. Só isso. - Voltou a se deitar.

– Agora estou com medo.

– Ah Siva, me poupe. Seja homem. - Max o encarou.

– Cala boca! - Eu gritei. O quarto inteiro permaneceu em silencio, todos ficaram atentos para ver se conseguíamos ouvir algo. 

– Ei.. - Tom sussurrou.

– Sssh.
Começamos a escutar correntes se arrastando pelos corredores e algumas risadas de crianças do lado de fora do quarto.

– Agora vocês acreditam em mim?

– S-s-sim.. - Max me olhou arregalando os olhos, apavorado.

– Cadê minha mãe? - Siva cobriu sua cabeça. Eu tenho medo, que caralho. Sabia que fantasmas existiam.

– Quem vai la fora ver o que é? - Nathan perguntou.

Nós olhamos um para a cara do outro e ninguém se manifestou.

– Falam que as três da manhã, é a hora que os espíritos ou almas perdidas são libertados. - Tom sussurrou.

– Ah, muito obrigado Thomas! Você me deixou muito tranquilo. - Respondeu Siva quase chorando.

– Vamos ficar quietos.

Os barulhos a cada minuto passavam a ficar mais frequentes e altos. Todos permaneciam imóveis em suas camas. Siva toda hora fechava os olhos e pedia para que aquilo fosse só um sonho. Nathan se encontrava de baixo das cobertas, mal respirando. Max ficou incrédulo e mal conseguia se mexer. Eu e o Tom ficamos um olhando pro outro.

– Vamos sair lá fora, talvez seja alguma menina querendo fazer uma brincadeira sem graça.

– Elas ouviram a mesma coisa ontem. - Nathan se descobriu. - Eu não saiu daqui nem fodendo, vocês que se dizem machos vão lá ver.
Como sempre ninguém se pronunciou.

– Pensei que elas estavam loucas. - Max falou se deitando e colocando o travesseiro por cima da cabeça.

– Eu também. - Todos concordaram.

– Será que se eu ligar pra minha mãe agora ela atende? - Siva perguntou pegando o celular e tentando discar.

– Siva, não precisa disso. - Falei pegando o celular da mão dele.

– Eu tenho medo, vocês sabem que acredito nessas coisas. Nunca escondi.

– Agora nós sabemos que deve ter alguma coisa, que elas não são loucas, por mais que aparentem.

– Quero ver quem vai ser o cara de pau de chegar amanhã e contar o que ouvimos.

– Eu conto. - Nathan levantou a mão.

– Não, deixa eu contar. Zoei a Katherine por isso, pensando que era alguma brincadeira de mal gosto delas. - Max retirou o travesseiro da cabeça e sentou na cama.

– Não vou conseguir dormir. - Siva respondeu.

– Então vamos permanecer acordados!

Passamos o resto da madrugada conversando e ouvindo barulho. Siva chegou a ajoelhar do lado da cama e rezar, pedindo pra Deus que tudo aquilo fosse alguma brincadeira. Tivemos que segura-lo toda hora que o barulho se aproximava e a risada parecia estar bem enfrente da porta. Nathan e Max pegaram no sono assim que todos os sons tinham parado pela manhã.

Resolvi cochilar rapidamente. Meu celular despertou as dez da manhã. Quando abri os olhos, todos já estavam fora de suas camas. Levantei rapidamente, fui até o banheiro e fiz minha higiene. Tratei de descer pra cozinha de samba canção mesmo, queria ver onde estava todo mundo.

– Alguém? - Gritei.

– Estamos na cozinha. - Ouvi Zoey responder com um berro.
Quando cheguei lá, todos estavam em volta do balcão pálidos.

– Já souberam o que aconteceu? - Falei abrindo a geladeira e pegando uma jarra de água.
– Sim..

– Contamos pra elas e elas disseram que não ouviram nada. Mas acreditam em nós, pela experiência que tiveram.

– É, sabe, diferente de algumas pessoas, nós acreditamos em nossos amigos. - Kate apontou para Max, que deu um tapa em seu dedo.

– Calada, mão pequena.

– Não xinga a minha mão, otário.

Os dois começaram a brigar e nós apenas observando e rindo.

– Será que dá pra vocês dois pararem? - Falei estalando os dedos.

– Ele é um idiota! - Kate disse se levantando.

– E você é uma mandona.

– Chega de DR aqui. Já deu. - Zoey berrou.

– O que vamos fazer agora?

– Não sei. - Tom respondeu.

– Acho que o mato ta nos fazendo mal. O ar do campo ta afetando nossos cérebros! - Adam exclamou.

– Hoje acreditou mais ainda que exista fantasmas. - Siva falou levantando suas mãos para trás.

– Isso mesmo Seev. É nois! - Kate foi até ele e o abraçou. O que fez Max olhar feio para os dois e beber seu café que estava na caneca.

– Muito legal isso, agora que não consigo dormir mesmo. - Dominic falou.

– Sou a favor de benzermos aqui.

– Eu também. - Zoey concordou comigo.

– Vocês todos só podem estar loucos. - Paige deu o ar da graça na conversa.

– Ninguém pediu sua opinião. E se for abrir a boca, que abra para falar alguma coisa que preste. - Kate retrucou.

– Nossa. Essa ai amanheceu de mal humor. - Naomi sussurrou.

– Enfim.. - Kate voltou o foco para a conversa, ignorando o comentário de Naomi.

Passamos um bom tempo falando sobre o acontecimento das duas noites e não chegamos em conclusão nenhuma. Eu e os garotos resolvemos jogar um pouco de vídeo game na sala e as meninas resolveram ir preparar o almoço. O resto da manhã passou bem rápido, fizemos campeonato entre nós e como sempre, Adam levou a melhor. Ele era viciado em games.

– Venham almoçar. - Kate pareceu na sala nos chamando. - E levem as mãos!

– Ta bom mãe. - Adam berrou rindo.

Elas colocaram a mesa e quando chegamos já estavam comendo. Tratamos logo de almoçar e durante isso Zoey e Nathan trocaram leves alfinetadas. Pois ele comentou que a salada de Zoey estava sem sal.
Acabamos de almoçar e resolvemos arrumar a cozinha, para dar uma folga para elas. Molhamos a cozinha inteira, o que deixou Dominic furiosa, nos expulsando da mesma. Passamos a tarde toda fazendo nada, Adam e Nathan ficaram concentrados no vídeo game, os dois eram competitivos demais.
Quando a noite caiu, Tom pediu para que alguém preparasse algo para comermos. Estávamos famintos.

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