sábado, 8 de dezembro de 2012

• Capítulo 28

A aula de filosofia estava tão sem graça, que eu estava quase dormindo sentada enquanto a professora falava algo sobre Tales de Mileto. Cara, eu estou cagando e andando pra esses filósofos, aonde que eu vou usar isso na minha vida? Perda de tempo. Ela parou com aquela falação sem fundamento -pelo menos pra mim- e começou a mexer numa pasta preta cheia de papéis em cima de sua mesa como se estivesse conferindo algo.

– Hum... Zoey, vem cá. - Gesticulou com o dedo para que eu fosse até ela.

– Sim Mrs. McCurdy? - Parei em frente a sua mesa cruzando os braços.

– Leva esses papeis até o diretor pra mim? - Me entregou a pasta preta e eu assenti.

Sai caminhando da sala calmamente até a direção, não estava com pressa nenhuma de voltar pra sala. Assim que cheguei á direção, percebi que a secretária não estava lá então fui direto até a porta da sala do diretor e bati três vezes. Alguns segundos depois ela se abriu.

– Mas olha só, se não é uma das minhas alunas preferidas, Zoey Baker. - Disse num tom sarcástico. Esse cara me irritava- O que te trás aqui? Uma advertência? Suspensão? Detenção? - Cruzou os braços em cima da mesa e me encarou com um sorrisinho irônico estampado no rosto.

– Pra você ver né, a professora McCurdy gosta tanto de mim que me escolheu como assistente - Sorri irônica pra ele. 

– Vejo que está entrando na linha agora? - Soltou um riso. Somente revirei os olhos.

– Bom, tenho que voltar pra aula. - Deixei a pasta preta em cima da mesa dele ainda com o sorriso irônico no rosto e me virei pra sair da sala.

– Espera, já que você está aqui, quero que conheça seu novo colega de turma. - Ele se levantou indo até a porta. - Andrew McClain. - Assim que ele abriu a porta um garoto alto, forte, moreno de sol com os olhos num tom azul esverdeado, cabelos castanhos com um topete e um sorriso perfeito entrou na sala. Confesso que paralisei, ele era absolutamente lindo.

– Oi - Sorriu pra mim.

– O-Oi. - Sorri de volta e mordi meu lábio inferior.
– Então Zoey, ele entra na turma de vocês a partir de amanha.Espero que vocês se tornem bons colegas - O diretor disse com um sorriso largo no rosto.

– Claro... Até amanhã Andrew. - Falei me retirando da sala.

Meu pai amado, o que era aquilo? Agora sim ir pra escola ia ser legal. Ah qual é, vai me dizer que você não acha legal quando entra alguém bonito na sua sala? Quando sai da direção o sinal já havia tocado e todos estavam indo pro intervalo. Encontrei Kate e Elena sentadas na mesa perto do refeitório. 

– Que demora. - Comentou Elena.

– E por que esse sorriso ai? - Kate riu.

– Se preparem, amanhã entra um aluno novo MA RA VI LHO SO na nossa sala. - Falei animada dando enfase na palavra.

– Sério? Como você sabe? - Me lançaram olhares curiosos.

– O diretor falou pra mim e me apresentou ele. - Batuquei na mesa.

– Agora sim vai ser interessante vir pra esse inferno - Elena comentou com um tom malicioso.

– Nem me fale - Kate concordou rindo.

– Alá, a galinhada já fica ciscando - Ri.

– Você fala como se não estivesse adorando a ideia também né? - Kate me deu um tapa de leve o que me fez rir mais.
Passamos o intervalo comentando sobre como seria a entrada desse garoto na escola, quando senti olhares de dois garotos da outra turma sobre mim e Kate. Se bem que eles eram bem gatinhos. Toda hora que eu olhava disfarçadamente pra eles, eles já estavam olhando pra nós duas. Esse é o momento em que você não sabe se a pessoa ta olhando só por olhar ou é por que ela está afim de você, mas é bem divertido quando isso acontece. 

– Kate, você já reparou que aqueles dois meninos do outro terceiro colegial toda hora olham pra gente? - Perguntei enquanto olhava novamente disfarçadamente pra eles.

– Já, acho isso bizarro - Ela deu de ombros.

– Ás vezes acho que eles vão vir falar conosco. - Falei num tom pensativo.

– Que venham. Não vou ficar com ninguém. - Disse séria.

– Mas nossa, ninguém tá falando de ficar. - Ri pelo nariz. 

O pessoal todo do ensino médio não teve as duas ultimas aulas, então fomos liberados mais cedo. Enquanto caminhávamos até a saída do colégio passamos pelos dois garotos que sorriram pra gente e se aproximaram.

– Vish, lá vem. - Mordi meu lábio inferior segurando o riso.

– Oi meninas. - Ambos falaram juntos dando um beijo em nossos rostos.

– Oi. - Sorri simpática e dei uma cotovelada em Kate pra ela sorrir também.

– Sou o Austin e ele o Tyler e vocês? - O de olhos mais escuro que se chamara Austin, perguntou. - Zoey e ela Kate. - Respondi ainda num tom simpático.

Eles puxaram um pouco de assunto e logo já estávamos conversando e rindo bastante, até Kate se soltou. Eles eram muito legais e engraçados. Austin comentou que jogava hóquei junto com Tyler e que era pra Kate e eu irmos assistir o jogo deles algum dia. Depois de tanta conversa, olhei no relógio e percebi que já era hora da Emma chegar, mas nada dela ainda.

– Quero ir no banheiro - Kate sussurrou. - E se a Emma chegar? - Perguntei.

– Ela espera, vem. - Disse me puxando.

– Austin, espera aqui, já voltamos - Sorri e ele assentiu. 


Nathan's POV

Estávamos conversando com Max e Adam na casa dele, quando Emma ligou perguntando se podíamos buscar Zoey e Kate na escola pois ela só ia voltar mais tarde. Max e Eu não pensamos duas vezes e falamos que buscaríamos elas. Quando chegamos na escola, não tinha tanta gente na porta, nos encostamos no carro e ficamos esperando. Dois garotos que estavam parados próximo de nós começaram a comentar sobre sobre garotas, Max e eu sem querer ouvimos a conversa.

– Mano, elas são lindas e super gente boa, acho que devíamos tentar algo... - Um deles comentou.

– Tá, mas e se elas não quiserem? - O outro perguntou receoso.

– Impossível não quererem. E eu tento com a Zoey. - Soltou um riso. - E eu a Kate. - Eles se entreolharam e sorriram.

– Max, eu to com problemas de audição ou você também ouviu os nomes Zoey e Kate? - Perguntei sério.

– Se você estiver, também estou, pois ouvi sim. - Max respondeu no mesmo tom que eu.

– Ah sei lá, ás vezes não tem só as duas de Zoey e Kate aqui no colégio - Tentei dar de ombros.

– E se não tiver? - Cruzou os braços me encarando.

– Não vamos ficar na duvida. - Dei alguns passos até chegar aos garotos. - E aí cara - Olhei pra eles com as mãos no meu bolso.

– E aí. - Responderam de qualquer jeito.

– Desculpa perguntar, mas de qual garotas vocês estavam falando? - Max perguntou fingindo não estar tão interessado no assunto dos garotos.

– Zoey e Kate. Por que? - Um deles perguntou curioso encarando Max.

– É que acho que conhecemos elas, vocês podem nos mostrar quem são? - Perguntei.

– Aquelas ali. - Apontou pra duas garotas que ainda estavam meio longe, mas pude perceber claramente que era Kate e Zoey. DROGA.

– Max, pensa rápido, vamos fazer algo pra eles saírem do pé delas. - Sussurrei pra ele.

– Assim, vocês pretendem sair com elas? - Max perguntou ainda fingindo estar desinteressado no assunto porem dando enfase na palavra, dando um segundo sentido a ela. - Claro, quem não ia querer? - Eles riram.

Olhei pra Max que se encontrava sério assim como eu, mas soltamos uma risada forçada apenas pra socializar.

– Olha cara, de amigo pra amigo, não façam isso. - Max pois a mão no ombro de cada um.

– Por que? - Perguntaram confuso.

– Elas tem Aids. - Max ergueu as duas sobrancelhas.

Quando ele disse isso, olhei perplexo pra ele que pisou no meu pé.

– Sério? - Os garotos ainda pareciam confusos.

– Sim. Vocês não iam querer sair com elas e pegar aids não é mesmo?

– Imaginem só, ficar com bolhas, feridas no seu... amigo. - Falei com uma expressão de aflição.

– Não, credo. Sério, valeu mesmo caras, se vocês não avisam estaríamos ferrados. - Que isso - Max e eu sorrimos.

– Bom, vamos indo nessa, até mais. - Até. - Acenamos.

– Aids Max? - O encarei rindo.

– Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. Você teve alguma ideia melhor? Não, então.

ZOEY'S POV

Quando Kate e eu voltamos do banheiro, Austin e Tyler já tinham ido embora, mas para nossa surpresa Nathan e Max estavam lá.

– O que que vocês dois estão fazendo aqui? - Perguntei parada em frente ao Nathan.
– Emma pediu pra virmos buscar vocês. - Ele respondeu sorrindo.

– Ah sim. Vamos embora então, quero comer. - Kate nos apressou. - Nossa, que novidade - Max riu. - Calado.

– Então, Siva já resolveu onde vai querer ir? - Perguntei.

– Sim, num restaurante hoje ás 21 horas. - Max respondeu.

– Hum....

Chegamos ao prédio e cada um foi para seu respectivo apartamento. Kate e Eu almoçamos e acabamos dormindo. Meu celular começou a tocar me fazendo despertar.

– Nem cochilar depois do almoço posso mais... - Comecei a apalpar meu colchão em busca do celular.

–Ligação-

– Alô? - Perguntei ainda sonolenta.

– Oi Zoey.

– Elena? O que você quer?

– Nossa, quanta delicadeza.

– Você me acordou.

– Desculpa... Mas, já estava na hora né?

– Que na hora o que, não posso mais cochilar depois do almoço?

– Menina, já está quase na hora do jantar. - Ela riu.

– Jantar? Que horas são? - Perguntei espantada.

– Já são 18 horas.

– Puta que pariu! - Sentei depressa na cama- Parece que eu só pisquei mano, que horror.

– As 21hrs eu posso passar ai pra esperarmos os meninos?

– Sim.

– Ok, então.

– Elena vem cá, por que você arrastou Kate e Eu pra irmos com você hoje?

– Ai, não quero ficar sozinha com o Siva, ele é sei lá, sem sal.

– O Siva? Sem sal? - Perguntei confusa.

– Eu acho..

– Menina, acho que seu cérebro derreteu por que não é possível, o Siva é uma pessoa maravilhosa, se eu pudesse casava com ele.

– Então, pegue pra você.

– Não, não posso. - Soltei um riso. - Sério, da uma chance pra ele, você não vai se arrepender.

– Hum... Tchau Zoey, até mas tarde.

–Ligação Finalizada-

Elena, menina maluca. Rapidamente fui acordar Kate com travesseiradas, ela levantou xingando tudo que via pela frente, apenas ri de sua revolta. Ela foi tomar banho e eu fui arranjar alguma roupa, não sabia que tipo de roupa escolher pois não fazia ideia de que tipo era o restaurante que Siva iria nos levar. Assim que Kate saiu do banho, lá fui eu.

Ficamos enrolando como sempre pra arrumar cabelo, maquiagem, escolher roupa novamente... Depois de tanta enrolação, finalmente ficamos prontas, em cima da hora ainda, pois eram exatamente 21:02. Saímos do quarto e quando chegamos na sala a campainha tocou.

– Elena, Siva, Max e Nathan - Kate disse após olhar pelo olho mágico. - Que pontuais.

Quando saímos do apartamento, vimos Elena toda trabalhada no luxo com vestido e tudo e Siva todo arrumadinho de terno. Troquei olhares com Kate porem permanecemos caladas.

– Wow Kate, você está linda - Max disse pegando em sua mão.

– Que isso. - Soltou um risinho.

– Você também está linda, Zoey - Nathan sussurrou pra mim.

Apenas sorri enquanto senti minhas bochechas corarem. Percebi os olhares abobados de Siva em cima de Elena, que o tratava com indiferença. Isso não estava certo. Siva tinha até contratado um motorista para nos levar até o restaurante, puro luxo.

Quando paramos em frente era um lugar realmente muito chique, o restaurante se chamava Gordon Ramsay (http://nycblog.citysearch.com/photos/uncategorized/2008/01/11/gordon_ramsay_at_the_london1.jpg), descemos do carro e fomos em direção a recepção do lugar, era um restaurante que funciona apenas por reserva, Siva teve um pequeno dialogo com o senhor que cuidava das mesmas.

O restaurante tinha várias divisões, a sala verde, parte do restaurante com um aspecto mais natural e ligado à natureza, a sala escondida, destinada a eventos privados e na sala de St. James, uma outra parte do restaurante, com ainda mais luxo no que diz respeito ao espaço, serviço e sabor.

O senhor nos guiou até a sala St. James a parte mais luxuosa, era a cara do Siva essas coisas cheias de frescurinha, sentamos na mesa e em cima haviam aqueles vários tipos diferentes de talheres, taças e até pratos. Observei as pessoas em volta, as mulheres com vestidos chiquérrimos, os homens de smokings, todos super bem arrumados, assim como Elena e Siva. Me senti totalmente deslocada eu era a unica dentro daquele recinto que vestia um shorts e Kate a unica que vestia uma calça. Percebi que Max e Nathan também se sentiam meio deslocados, pois eram os únicos homens sem roupa social. Um garçom apareceu e entregou um cardápio para cada um de nós, comecei a ler aqueles nomes em francês, italiano, mexicano, muçulmano sei lá eu que diabos eram aquilo.
Cadê arroz, feijão, bife e batata frita? Não tem.

– Que tal pedirmos Escargot? - Siva perguntou.

Fitei Nathan preocupada que retribuiu o olhar.

– Ótima sugestão - Elena sorriu.

O garçom voltou e Siva pediu Scargot e para bebermos vinho tinto beaujolais.

– Escargot é aquele tipo de lesma comestível não é? - Sussurei pra Nathan. - Sim. - Me olhou com uma careta.

– Não faço ideia de como comer isso.

– Pesquisa no google. - Ele riu. - Mais sem cultura impossível.

O garçom veio novamente e pos sobre a mesa o prato de cada um. Fitei meu prato com um certo nojo.

– Apenas isso? Que miséria. - Max reclamou.

– Não vou comer isso. - Kate afastou um pouco o prato.

– Garanto que é bom. - Siva sorriu.

Continuei encarando meu prato por alguns instantes, peguei um garfo e virei aquela coisa. Nojento demais.

– Como se come isso? - Perguntei confusa.

– É facil. - Disse Elena.

– Segura o alicate de escargot na mão esquerda e segura o casulo, com o garfo de escargot na mão direita, você o retira do casulo e come. - Siva explicou.
Novamente fitei Nathan, preocupada.

– Faz o que o Siva falou. - Ele disse pegando o tal alicate.

– Cara, você vai fazer merda - Segurei o riso.

Ele segurou o casulo pelo alicate na mão esquerda e quando foi retirar o molusco do casulo com o garfo, ele puxou com força demais, fazendo o molusco voar do garfo e ir parar dentro do decote de uma mulher que se encontrava na mesa da frente. Ninguém tinha percebido, nem mesmo a mulher, Nathan e eu nos entreolhamos segurando o riso. Apoiei meus cotovelos na mesa, entrelacei minhas mãos apoiando as mesmas na mesa. Nathan mordia os lábios tentando prender o riso. Todos na mesa nos encararam confusos.

– O que aconteceu? - Kate perguntou.

– Nada, um ataque de risos do nada. - Falei ainda rindo do ocorrido.

Siva tentava puxar assunto com Elena a todo custo, porem ela não colaborava muito. Max pegou um casulo com a mão e sugou o molusco de dentro, todos o encaramos com uma expressão de "que merda você esta fazendo?"

– Sou pratico galera, desculpa ai. - Disse pegando outro casulo.
Kate foi tentar comer o molusco porem cuspiu de volta em seu prato.

– Que nojo Katherine - Elena fez uma careta.

– Puta negocio.... estranho, ruim, mole, eca. - Pois a língua pra fora.

– Não vai comer, Zoey? - Siva perguntou.

– Não, estou bem aqui com o vinho. - Falei erguendo a taça e tomando um gole. No mesmo instante aquela mulher em que Nathan jogou acidentalmente seu molusco, levantou de sua mesa dando um berro, todos a encararam assutados.

– O que houve madame? - Um garçom apareceu rapidamente

– Tem um molusco no meu vestido - Ela disse tirando o mesmo de seu decote. - Isso é um absurdo.
Ela começou a discutir com o garçom, enquanto eu e Nathan olhávamos para o lado na tentativa de segurar o riso novamente. Minutos depois, Nathan me cutucou com o cotovelo.

– Vamos pra outro lugar? - Sugeriu sussurrando.

– Vamos, pelo amor de Deus. Vai ser melhor, eles ficarão a sós. 

– Vou fingir que recebi uma ligação e surgiu um imprevisto, ai a gente sai vazado, ok? - Perguntou e eu assenti.

Nathan pôs seu celular pra despertar daqui um minuto. Um minuto se passou e o mesmo começou a tocar, ele pegou o celular desligou o despertador e fingiu atender alguém, construiu um pequeno dialogo e guardou o celular.

– Quem era? - Perguntou Kate.

– Surgiu um imprevisto, vamos ter que ir. - Disse se levantando e pegando na minha mão. - Max e Kate vocês também. 

Os dois levantaram num pulo. Nos despedimos de Siva e Elena que nos olhou com uma cara de "Não me deixem aqui" ao contrario de Siva que aparentou ficar bem feliz com a nossa saída. Assim que saímos do restaurante soltei um suspiro de alivio. 

ELENA'S POV

Quando todos saíram e deixaram eu sozinha com o Siva me senti insegura, não estava nem um pouco afim de ficar sozinha com ele, apesar de estar gostando muito do ambiente em que estávamos. 

– Elena, você está gostando do lugar, da comida, da companhia? - Ele soltou um leve riso.
Ele tentou varias vezes puxar assunto comigo, porem fui curta e grossa em todas elas, como agora ele estava tentando novamente, achei melhor dar uma chance.

– Claro! Tudo está ótimo, o lugar, a comida são super agradáveis. - Sorri. - Inclusive a companhia.

Quando disse isso pude perceber um sorriso enorme brotar em seu rosto, deixando seus dentes brancos á mostra, foi ai que reparei que ele tinha um sorriso deslumbrante.

Começamos a conversar e pude perceber ao decorrer da conversa que Zoey tinha razão, Siva era uma pessoa maravilhosa. Um fofo, engraçado, gentil, tinha um bom papo... 

– Sabe, Thomas as vezes se supera na porquice - Riu. - Ele tem uma cara mesmo - Ri junto.

– Uma vez encontrei varias cuecas dele dentro da lava louças.

– Santo Deus! Me lembre de nunca comer nem beber nada no seu apartamento.

– Não, mas eu e os meninos fizemos questão de trocar a lava louças, por precaução sabe. - Riu novamente. - Mas nunca mais ele pois cuecas lá dentro.

– Ele aprendeu aonde fica a maquina de lavar roupas?

– Não sei exatamente, mas trocamos a lava louças com o dinheiro dele, isso fez com que não colocasse mas nada lá.

Não pude deixar de rir. Criei conclusões erradas sobre ele, de sem sal Siva não tinha nada, na verdade não sei nem como ele continuava solteiro.

– Seev, Nathan e Zoey, Max e Kate são namorados? São o que? - Perguntei curiosa.

– Ah, eles são uma parada legal ai, que nós poderíamos ser também! - Deu um sorriso de lado.

Senti meu rosto queimar de vergonha. - Bom, quem sabe né - Sorri e dei um gole no meu vinho. Nós conversamos bastante e fomos descobrindo que tínhamos varias coisas em comum, mais do que imaginávamos.

– Como você conheceu elas?

– Conversamos pela primeira vez numa festa, mas a primeira vez que eu vi elas, elas estavam escondidas atrás das plantas que ficam do lado do sofá na recepção do prédio - Ele soltou um riso ao lembrar da cena.

– O que elas estavam fazendo atras das plantas? - Perguntei confusa.- Até hoje não sei, - Disse pensativo. 

– Elas são malucas. - Ri.
– Malucas? São retardadas. Porém amamos elas, fazer o que, são tipo irmãs pra gente -Ele sorriu.

Siva é tão carinhoso, tão cute cute que da vontade de embrulha-lo com um laço e guardar com você pra sempre.

– E essa parada legal ai deles? Como começou?

– Max trombou com Kate na saída do prédio derrubando todo seu cafe e Nathan esbarrou com a Zoey no parque.

No começo os quatro não podiam nem respirar perto um do outro que já saia briga, não se suportavam, mas ai com o tempo e a convivência, eles descobriram que por trás de todo aquele ódio, toda aquela implicância haviam sentimentos mais fortes.

– Que coisa mais fofa isso. - Sorri. - Bem clichê, porem fofo.

– Isso não te parece familiar? - Me encarou. - Familiar? O que?

– Se odiar no começo e descobrir o sentimento depois? - Não. - Menti desviando o olhar. 

Conversa vai, conversa vem, decidimos ir embora. Fui pra pagar porem Siva discutiu comigo por um longo tempo falando que jamais ele deixa a mulher pagar algo, assim que ele pagou, saímos do restaurante e o motorista nos levou pra casa.

– Tchau Seev, a noite foi realmente muito boa. - Sorri dando um beijo em seu rosto.

– Podemos repetir? - Perguntou animado. - Claro. - Mandei um beijo pra ele e entrei no meu prédio.

• Capítulo 27

Kate e eu tínhamos acabado de tomar banho pra tirar aquela sujeira de tinta do nosso corpo, quando a campainha tocou, segundos depois ouvimos batidas na porta do nosso quarto.

– Entra! - Falei me sentando na cama.

– Oi gente. - Elena apareceu sorrindo. - Oi. - Kate e eu sorrimos.

– Aqui estou pra encher o saco de vocês. Já é a segunda suspensão em menos de uma semana e vocês tão ligadas que se levarem mais uma é adeus escola né? - Se sentou ao meu lado.

– Vish, fodeu. - Falei rindo. - Zoey, não brinca. - Elena disse séria- Se vocês saírem o que será de mim? - Fez bico.

– Mas meu Deus, quanto amor - Apertei sua bochecha.
Conversa vai, conversa vem...

– Preciso confessar uma coisa. - Elena respirou fundo. - Pode falar, estamos ouvindo. - Kate sorriu.

– Estou na seca. - Disse séria.

Começamos a rir e ela nos encarou brava.

– Ai desculpa, pensei que você ia falar algo mais... sério.

– Mas é sério isso cara, preciso tirar o atraso.

– Calma, vamos arranjar um carinha bem gatinho pra você! - Kate sorriu. - Se quiser chamamos o Seev. - Falei rindo.

– Cala a boca Baker. - Bateu um travesseiro na minha cara. - Como Kate? - Perguntou confusa. - Não sei. - Rimos.

No mesmo instante bateram na porta.

– Olá. - Dominic abriu a mesma. - Oi - Respondemos.

– Vamos pra academia? - Disse animada.

– Nem fodendo - Cruzei os braços.

– To destruída, nem rola.

– Vamos meninas! Vai todo mundo... - Dominic tentava nos convencer.
Espera, na academia tem caras lindos, seria um ótimo lugar para arranjar algum pra Elena. Rapidamente lancei um olhar com um sorriso de canto pra Kate que me encarava da mesma forma. Telepatia sempre.

– Nós vamos sim. - Levantei sorridente.

– Ótimo! Daqui dez minutos estejam na sala. - Dominic saiu do quarto.

– Gente, academia? sério? - Elena respirou fundo.

– Vem, vai ser legal - Kate puxou ela a fazendo levantar da cama.

Vestimos uma roupa de ginástica, emprestamos outra para Elena e descemos para a sala. Adam e Dominic apareceram segundos depois, saímos do apartamento e quando chegamos na saída do prédio, encontramos com o resto dos meninos.
Os olhos de Siva brilharam quando ele viu Elena que no caso, nem deu atenção pra ele, a academia se encontrava duas ruas atrás do prédio e lá fomos nós. Quando chegamos cada um foi para um canto, Elena, Kate e eu fomos pra esteira.

– Quanto tempo faz que você está na seca? - Kate perguntou começando a correr numa velocidade baixa.

– Bastante. Tipo, muito.

– Muito quanto? - Perguntei aumentando a velocidade da esteira.

– 1 ano e meio. - Elena fitou o chão mordendo seu lábio inferior.

– Impossível, você ta zoando comigo. - Kate disse incrédula. - Não to. - Cara, não é possível, para de brincar.

– Gente, pela milésima vez é verdade, vocês não vão acreditar? - Disse impaciente.

– O pior é que, conhecendo você, mesmo que seja por pouco tempo, acreditamos. O lance é que, como da pra viver assim? - Perguntei absurdada.

– Eu não sou a unica, ta bom?

– Maior de 16 creio que sim. - Ri.

– Não acredito, assim como eu devem existir milhões tá legal?

– Milhões eu não acredito. - Kate disse ofegante por conta da sua corrida. - É tipo, uma especie em extinção.

– ZOEY! - Me repreendeu. - Queriam que eu virasse freira, mano.

– SOCORRO! - Kate e eu falamos ao mesmo tempo surpresas.

– Ai, já chega! Não é justo eu estar aqui contando algo pessoal e vocês não acreditando. Se soubesse não teria contado. - Disse saindo da esteira.

SIVA'S POV

Eu estava interessado na Elena, desde a primeira vez que eu a vi senti algo diferente, preciso de algum modo, conquistar essa garota. Estava sentado nas cordas laterais de um ringue de luta feminino junto com Max e Nathan, havia duas garotas lutando e nós estávamos observando até que elas foram se alongar e ficaram de costas pra nós colocando as mãos nos pés.

– Wow. - Falamos juntos olhando para as duas garotas logo depois começamos a rir.

– Siva o que você disse sobre a Elena é verdade? - Max perguntou colocando uma mão em meu ombro.

– Sim, verdade verdadeira. Ela está na seca a um ano e meio, cara. - Respondi. - Broxante. - Nathan arqueou as sobrancelhas. - Sinistro, isso sim. - Max disse tirando suas mãos do meu ombro.

– Que desperdício. Na verdade, acho que eu devia ajudar ela sabe, com esse probleminha, assim como sou um grande amigo... - Soltei um riso.

– Bate! - Nathan gritou. Ele estava mais concentrado nas meninas do que na nossa própria conversa.

– Não sei ein..

– Por que? Eu quero ajudar a saúde dela, vai que o corpo dela apodrece? Isso é sério, coitada. - Falei choramingando balançando a cabeça negativamente.

– Coitadinha. - Max também fingia um choro. - Ah, bobão. - Parou de fingir e me deu um tapa na cabeça.

– Vem, vamos. - Nathan disse saindo do ringue. - É, já esta na hora. - Max foi atrás. Não entendi por que eles não levaram a sério o que eu disse, era verdade, quero ajudar Elena a sair dessa seca. Porem como, ainda não sei.

ZOEY'S POV

Estávamos dentro do vestiário masculino, encostadas na parede, quando passou um homem super sarado com apenas uma toalha enrolada na cintura.

– Vai, vai! - Kate disse empurrando Elena.

– Não. - Ela se mantinha firme no lugar. - Ataca, ataca, vai logo. - Ajudei a empurrar.
– Vai menina. - Kate a empurrou com força.

Ela foi andando e nós fomos atrás, nos escondemos atrás dos armários e ela começou a olhar em volta.

– Não da mais pra esperar, tem que ser com esse sujeito, anda. - Kate disse. - Não!
– Vai, é esse. - Kate insistia.

No mesmo instante o cara foi ajeitar a sua toalha, deixando suas partes á mostra.

– AAAAHHH! - Gritamos tampando o rosto.

– Vocês viram isso? - Kate riu.

– Vai menina, agora ou nunca. - Incentivei.

– Chegou a hora de você dar um jeito nisso Elena, vai. - É isso ai. - Soltei um riso. - Não, não posso.

Ela foi e parou atrás do homem super sarado, Kate e eu ficamos apenas observando. Quando ela foi falar com ele, surge outro cara super forte e sai de mãos dadas com o mesmo. Não acredito nisso.

– Não é possível. - Falei boquiaberta.

– NÃO PODE, NÃO PODE, NÃO ACREDITO. - Elena pois as mãos na cabeça.
Depois de ficarmos um tempo discutindo a situação, saímos do local rindo do acontecimento.

SIVA'S POV

Avistei Elena, Zoey e Kate indo em direção ao vestiário masculino, elas andavam se escondendo pelo local, pareciam procurar alguém. Pararam um pouco distante de um cara e começaram a empurrar Elena para ir até ele, depois de muita insistência ela foi, porém ele era gay. Elas saíram rindo do local, decidi continuar indo atrás, só pra ver o que elas iam fazer. Logo, fomos parar na área do chuveiro.

– Olha lá, homens. Vamos ver. - Kate disse andando na frente.

– Elena, você não pode desanimar só por que não deu certo com aquele cara, confia na sua intuição. Tem que ver, qual é seu macho preferido - Zoey disse enquanto as três engatinhavam pelo chão. - Ah não gente, isso é um absurdo.

Enquanto elas falavam e engatinhavam, comecei a forçar meus músculos do braço pra ver como estava meu físico.

– Imagina eu chegar na frente do cara e falar "Olá, gostei muito de você, posso fazer de tudo. Me leva pra cama?" - Elena fez uma vozinha mais fina que o normal ao pronunciar a ultima frase.

– Ai não, não é desse jeito. Primeiro tem que ver se ele é lindo, gente boa, cavalheiro e tem que ser mais sutil, não pode perder o estilo não é?

– Claro, tem que encontrar o cara que vai te levar pro céu, pras nuvens, não obrigatoriamente pra cama, isso é só uma parte. - Quando Zoey terminou de falar um dos caras iria sair do banheiro, então elas se levantaram e saíram correndo. Fui atras claro. Saímos do vestiário e fomos para a parte de musculação.

– Olha esse aqui que lindo, olha. - Kate apontava discretamente para um. - Não, deixa isso pra lá vai. - Escolhe um ou escolho eu, aquele ali, é muito gato. - Zoey apontou pra outro.

– Elena, os homens são todos iguais. Olha esse, pronto. - Kate parou do lado de um cara levantando uns ferros. - Logico que não, não são todos iguais.

Enquanto elas passavam por ali, uma mulher que também estava fazendo musculação piscou para elas.

– Não, mulher não! - Começaram a rir.

– Os homens correm atrás da carne, são iguais cachorros. - Zoey disse enquanto olhava para os caras fazendo a malhação.

– Você tem que facilitar um pouco as coisas. Porém, não pode ser oferecida e nem muito fechada.

– Não. - Elena saiu correndo.

Fui dar alguns passos pra ir atrás da Elena, mas tropecei em algumas barras de ferro e acabei tropeçando caindo na frente de Zoey e Kate.

– Olha o outro. - Zoey pois as mãos na cintura. - O que vocês falaram pra ela? Hã? - Perguntei. - Que? - Kate perguntou confusa.

Apenas me levantei e fui atrás de Elena, após alguns minutos a encontrei na parte das bicicletas, ela pedalava rapidamente. Fui pular pra sentar em uma das bicicletas e acabei batendo... minhas partes no banco.

– Oh oh oh.... - Gemi.

Ela parecia que nem notava minha presença ali.

– Elena, que surpresa. - Comecei a pedalar. - Olá Seev. - Jogou os cabelos para trás.
– Eu não sabia que estava aqui. - Como não, se chegamos juntos?

– Oh. - Soltei um riso fraco. - Eu quis dizer que não sabia que estava aqui, pedalando. - Ela simplesmente me ignorava.

– Você precisa de ajuda? Pra qualquer coisa? Sabe que pode contar comigo pra tudo! - Sorri. - Sabe, pra te abraçar... - Falei em um tom doce enquanto saia da bicicleta.

– Siva eu quero ficar sozinha, to com vontade de.. sei lá. - Disse impaciente.

– Bom, então lembre-se que eu estou aqui pra o que precisar. - Falei parado ao seu lado e sorrindo.

– Tá bom, valeu.

No mesmo instante ouvi as vozes de Zoey e Kate.

– Olha só, as fofoqueiras. - Falei rindo. - Cai fora. - Zoey me empurrou rindo. - Para com isso. - Kate riu.

– O que ele te disse? - Ele só fala besteira - Kate ainda ria um pouco. - A gente tem novidades amiguinha.

– Você tem que ver uma coisinha, na verdade, uma coisona que arranjamos pra você.

– Já temos o seu candidato. - Kate fez uma dancinha estranha com as mãos.

– Pensei que já tivessem deixado isso pra trás, mas estou vendo que não.

Voltei pra dentro da sala das bicicletas e fiquei atrás delas.

–Não, não, não vamos parar. - Cantarolou. - Ei, sai dai garoto - Zoey me olhou rindo.
– Vamos lá, pedalando. Isso.

– Pedalando, pedalando, rápido. Saí dai de trás garoto. - Zoey disse novamente.
– Ah não, de novo esse chato. - Kate riu.

ZOEY'S POV

Saímos da parte das bicicletas e voltamos para a de musculação, ficamos abaixadas atrás de um aparelho que dava quase de frente para outro, onde tinha um cara fazendo musculação para as pernas.

– Olhem só, gente que pernas. - Falei com a mão no rosto. - Eu não acho ele bonito. - Kate fez careta. - Gente, que-que pernas - Elena deu uma leve gaguejada.

– Que coisa, meu deus - Falei sem tirar os olhos do cara. - Acho que já estamos apelando - Kate riu. - Ah sei lá, tenho meus critérios.

– Ui, olhem essa suspensão traseira gente. - Falei colocando a mão na testa. - Suspensão traseira? - Kate riu. - Ele tem... ele tem.. - A carne. - Elena completou rindo.
– A carne é potente meninas.- Falei rindo junto com elas.

– Gente, olha no que estamos pensando - Elena riu. - Ah, mas ele também tem olhos bonitos, não acham? - Da pra acreditar que ela reparou logo nos olhos? - Kate soltou um risinho. - Elena bufou saindo de perto.

– Ei Elena, espera, o que foi? - Perguntei. - Vocês estão malucas? Vocês acham que eu vou chegar assim e atacar o cara? - Saiu andando.

– Acho melhor deixar isso de lado, ela vai sair correndo em todas as situações. - Katherine bufou.
NATHAN'S POV 

Max e eu nos aproximamos de Seev que estava se matando, para tentar erguer um peso com as pernas.

– Vamo rapaz, bota força nisso aí, vamos. - Max pois a mão em seu ombro o incentivando.

– Eu não posso... Eu não posso ficar de braços cruzados, sabendo que ela ... está por ai procurando um cara qualquer enquanto eu... estou aqui, ela é indefesa... - Ele disse de olhos fechados com um pouco dificuldade por conta da força que estava fazendo.

– Cara, você tem que entender que na hora certa, ela vem até você - Max se sentou no aparelho que havia ao lado.

– Do que vocês estão falando? - Siva parou com o exercício e nos olhou espantado.
No mesmo instante uma garota bem gostosa passou na frente de Max, ele a seguiu com o olhar, arregalando um pouco os olhos, com sua boca meio aberta.

– Ah Seev, deixa de ser idiota. - Revirei os olhos me sentando no outro aparelho que havia por ali.

– Olha, quando você vai ficar com uma mulher, quando vai... mostra-la os prazeres do Kama Sutra não pense que vai ser tao fácil, é uma responsabilidade.

– Não tem quem fique tanto tempo assim sem... - Siva disse pensativo. - Não dá. - Falei fazendo o exercício. - Ou dá, não sei.

– Você, calado.

– Não, deixa ele falar - Max disse sério.

– Assim, quando está com alguém você quer sentir... - Sentir o que? - Siva me interrompeu.

– Cala a boca, quero ouvir o que o cara tem a falar.

– Além do sexo você vai querer se apaixonar também. - Quando terminei a frase Zoey passou na minha frente. - Puts! - Tomei minha cabeça pra trás sentindo minha barriga gelar.

ZOEY'S POV

– Vai lá. - Sorrimos pra Elena. - Ele é lindo, bonitão. Tá, mas por que ele? Ele não vai me escutar.

– Promete que vai chegar nele e pelo menos dizer um oi? - A encarei.

– Você precisa melhorar essa cara, é um momento importante. Vai logo e vai sozinha. - Kate disse saindo de perto.

– Não, volta! - Elena tentou puxar ela, mas não deu. - Zoey, me ajuda! - Garota, vai na fé, parte pro abraço. - Sai de perto dela.

Mas pelo visto não deu muito certo, Elena travou quando foi conversar com o cara. Mais uma tentativa sem sucesso. Depois de tudo aquilo, os meninos vieram nos chamar para ir embora.

SIVA'S POV

Enquanto caminhávamos de volta para o nosso prédio, tive a ideia de convidar Elena pra sair. Porem, me faltava coragem, realmente estava com um medo enorme do meu convite ser recusado.

– Nathan, Max... - Sussurrei e os dois olharam pra minha cara. - Vocês acham que eu devo convidar Elena pra sair? - Perguntei receoso.

– E você ainda pergunta? -Nathan revirou os olhos. - Claro que deve.

– Já passou da hora. Vai que é sua. - Max deu uns tapinhas no meu ombro. - Estou com medo. - Cara, o pior que pode acontecer é ela dizer não. - Nathan soltou um riso pelo nariz. - Ah nossa, valeu ai por me tranquilizar.

– Se você não se arriscar nunca vai saber o resultado de suas ações. - Max disse sério.

– Espera, essa frase saiu mesmo da boca do Max? - Nathan soltou um riso.

– Tenho meus momentos. - Sorriu convencido. - Seev, anda logo e convida, tenha atitude.

O que Max disse, me fez tomar mais coragem para convidar Elena, respirei fundo e caminhei até parar ao lado dela.

– Elena... assim, queria saber se você aceita... sair comigo? - Soltei um sorriso enquanto coçava minha nuca.

Ela me encarou, olhou pra Zoey e Kate que estavam rindo com os meninos, me olhou novamente com uma expressão pensativa.

– Claro Seev. - Sorriu. - Nesse momento eu realmente queria poder soltar rojões de tanta felicidade. Ela tinha aceitado sair comigo. Mas, minha felicidade estava prestes a acabar. - Assim... vamos chamar Zoey e Kate pra ir conosco. - Ela apontou pras duas.

Olhei pra elas que rapidamente nos encararam com uma expressão confusa e espantada. Merda, merda, mil vezes merda. Era pra ser apenas nós dois, eu e ela, ela e eu em um jantar a luz de velas.

– Nós? - Kate perguntou.

– Opa, já que é assim, Nathan e Max vão também, aí vira um encontro triplo. - Tom sorriu.

Lancei um olhar de "Cala a boca Thomas" ele e Jay estavam se divertindo com a situação.

– Isso! Perfeito - Elena sorriu.

Elena foi para seu apartamento e nós chegamos ao nosso. Falei pra Zoey e Kate que assim que resolvesse um lugar para irmos, avisaria elas amanhã a tarde. Elas entraram em seu apartamento junto a Dominic e Adam, eu e os meninos subimos para o nosso. Tomamos um banho e desmaiamos na cama.

• Capítulo 26

Despertei com o barulho irritante do meu despertador, só não quebrei ele ainda pelo fato de também ser meu celular. Ainda eram seis da manhã, até onde eu sabia o sinal batia as oito. Ok, ainda tinha mais um tempinho pra dormir. Assim que abri meus olhos de novo, peguei o celular e eram 7:38. Ótimo, maravilha, estávamos atrasadas. Levantei num pulo da cama e já fui acordando Kate.

– Levanta demônio. – Chacoalhei ela, que nem se mexia.

Peguei a primeira roupa que vi e vesti, penteei meu cabelo e fui até o banheiro.

– KAAAAATE ACORDA! – Falei berrando pelo quarto com a escova de dentes na boca.
Voltei ao banheiro, limpei minha boca e depois puxei os lençóis de Kate a fazendo cair no chão.

– SOCORRO, QUE ISSO? – Perguntou assustada.

– Já é quase oito horas, vamos nos atrasar pra escola. – Falei rápido.

– Caralho, corre! – Ela se levantou rápido.
Assim que ela terminou de se trocar, descemos as escadas correndo, quase caindo.

– Meninas, comam algo! – Andy disse.

– Não dá, tchau. – Saímos correndo puxando Emma.

Entramos no carro e Emma tentou ir o mais rápido possível, mas como temos muita sorte pegamos um transito do inferno.

– Ótimo, nem estamos atrasadas mesmo. – Bufei.

Depois de ficarmos paradas no transito chegamos na escola. Descemos correndo do carro, berramos um tchau pra Emma. Assim que entramos, percebemos que o sinal já tinha batido e o pátio estava vazio.

– Se não nos atrasarmos, não somos nós. – Kate riu.

Fomos até a secretaria para sabermos nossas aulas.
A funcionaria aparentava ter uns 50 anos, ela era meio baixinha e magra, tinha algumas rugas no rosto, seus cabelos eram curtos, lisos e tinham um tom de loiro meio caramelado. Ela era bem simpática, sorria a todo momento, uma mulher calma. Ela entregou dois papeis com os horários pra mim e Kate, nossa primeira aula era Biologia. Ficamos dando voltas pela escola tentando achar nossa sala.

– Achei, aqui. – Kate apontou pra porta que se encontrava fechada.

– Que medo, não quero entrar. – Falei rindo de nervoso. Se acalma Zoey e vai. – Suspirei e forcei a maçaneta pra baixo empurrando a porta um pouco de modo que ela se abrisse. - Licença. – Falei entrando na sala com Kate logo atrás de mim.

Quando entramos senti todos os olhares em cima de nós, dei uma olhada rápida por todo o local. 

– Suponho que vocês sejam as alunas novas. – Um homem de altura media, óculos, cabelos curtos e pretos que aparentava ter uns 39 anos disse nos olhando. Provavelmente era o professor.

Eu e Kate assentimos com um meio sorriso. Medo de levar uma bronca no primeiro dia de aula? Claro que não.

– Oh, sejam bem vindas. – Ele deu um sorriso simpático. Pelo menos ele pareceu ser bem legal. - Alunos, essas são suas novas colegas de classe, Zoey Baker e Katherine Russel.

Nós duas sorrimos para aquele bando de rostos desconhecidos e só alguns retribuíram. Nessa sala as mesas eram em duplas, por sorte no fundo da sala havia uma mesa vazia, o professor mandou eu e Kate nos sentarmos lá. Ainda sentia olhares em nós duas, assim que me sentei tratei logo de observar melhor as pessoas da sala, nenhuma me chamou atenção em particular. Veremos nas outras aulas, o que nos espera. A aula se passou bem rápido, o professor não passou nada de tarefa apenas se apresentou -seu nome era Benjamin- e ficou falando das regras da escola, seu método de ensino e essas coisas chatas. 

Nossa segunda aula seria matemática, se o professor fosse legal como o de biologia estaria feliz. Quando entramos na sala, todos já estavam lá, pude perceber que tinha uma garota que não estava conosco na aula de biologia, ela me parecia conhecida. Kate e eu nos sentamos e a professora chegou, ela cara de mal comida dela percebi que era uma chata.

Quando o sinal bateu dei graças a Deus, mas a felicidade durou pouco, pois eram duas aulas com ela, na segunda aula ela já queria passar atividade. Palhaçada, né? Só podia. Kate e eu fizemos as atividades de má vontade e fomos mostrar pra velha dar visto.

– Está incompleto. – Ela disse nem olhando direito.

Incompleto é a bunda dela. Soltamos um olhar de desprezo pra ela.

– Como não? – Perguntei e ela nos ignorou. 

Quando fui falar novamente o sinal bateu.

– Gente, eu estou indo o visto só valeu essa aula, tchau. – Disse se retirando da sala.

– AAAAAAAAH, VELHA MALDITA. – Berrei jogando o caderno no chão e todos me olharam tipo “nossa que revolta.” 

As aulas nem começaram direito e já peguei um ódio absurdo dessa professora. Nossa próxima aula era geografia, fomos pra sala e percebi que a mesma garota de antes estava lá, ela nos encarou por alguns segundos e veio em nossa direção.

– Oi. – Sorriu tímida. - Olá. – Kate e eu respondemos sorrindo.

– Vocês são aquelas amigas da Dominic, certo? 

– Sim, você que estava aquele dia no Starbucks? – Ela assentiu sorrindo. – Helena? 
– Isso mesmo – Riu de leve.

Conversamos bastante e até passamos o intervalo juntas, fomos na secretária pedir pra colocarem a Helena nas mesmas aulas que a gente e por sorte eles colocaram. As outras aulas foram calmas. Claro, dormi uma aula inteira e quando acordei todos estavam saindo da sala.

– Vamos aonde? – Perguntei confusa.

– Laboratório, vem. – Kate me puxou animada junto com Helena.

Assim que chegamos lá, sentamos numa mesa e começamos a fazer o que o professor pediu. Íamos retirar cobre de uma solução azul, ele passou de mesa em mesa nos entregando: sulfato de cobre, um béquer com água, barbante, pregos e espátula. Kate começou a brincar com o barbante.

– AZUUUUL, QUE LINDO! – Falei pegando o sulfato de cobre e olhando admirada.

– Acho que você tem problemas. – Elena me encarou rindo.

– Você acha? – Kate riu. 

– Caladas. Azul é A cor pra mim. – Falei ainda olhando o sulfato de cobre. - Ai coisa linda. Professor, posso levar pra casa? – Perguntei e ele me olhou soltando um riso. 

O professor mandou por o sulfato de cobre dentro de um béquer com água e misturar até ficar um azul intenso. Me apaixonei mais ainda. Depois tínhamos que pegar a espátula, só que a nossa tínhamos emprestado pra outra mesa, fui com a Kate até o fundo do laboratório pegar outra e estava cheio de elementos químicos lá.

– Pelo amor de deus Katherine, não esbarre em nada. – Avisei. - Eu? Esbarrar? Puff. Cuidado você ai. – Riu.

Ficamos procurando onde o professor guardava as espátulas e quando fomos pegar, acabamos esbarrando em alguns elementos químicos que se misturaram, ficando numa cor esverdeada. Merda. Kate me olhou com os olhos arregalados.

– Cacete e agora? – Perguntou. - Hino do fodeu pra gente. – Falei séria.

– Vamos sair daqui logo. – Kate disse se apressando.

– Qualquer coisa, não fui eu. – Falei me virando.

Quando estávamos saindo de lá a mistura começou a borbulhar e o recipiente em que ela estava começou a tremer. Ótimo, vamos explodir a escola agora. Em menos de 10 segundos o recipiente estourou e voou aquela coisa esverdeada por toda a sala, inclusive nas nossas roupas. 

– O que que aconteceu aqui? – O professor disse se aproximando.

– Um pequeno acidente. – Sorri fraco.

– Pequeno? Vocês poderiam se machucar ou até mesmo explodir a escola. Vão pra direção. – Ordenou.

– Professoooooor!! – Kate choramingou. - AGORA! 

Antes de sairmos da sala Elena fez um sinal de “me liga” com as mãos. Fomos em direção a secretária e nos sentamos em um dos sofás que haviam lá. Logo a mesma tia que nos entregou o papel mais cedo apareceu.

– Meninas, o que vocês fazem aqui? – Perguntou confusa.

– O professor de química nos mandou pra cá. – Kate respondeu.

– Andaram aprontando já no primeiro dia de aula? – Soltou um riso leve. - Ai, esses jovens de hoje em dia... – Logo ela sumiu de nossas vistas entrando na sala que deveria ser do diretor.

– Nós e nossa bela capacidade de só fazer merda. – Comentei com a Kate que concordou.

Após alguns minutos a tia apareceu novamente e disse que o diretor nos esperava, entramos na sala e sentamos nas duas ‘poltronas’ em frente á sua mesa.

– Então, o que trás vocês aqui no primeiro dia de aula? – Perguntou se apoiando na mesa e nos encarando.

– Causamos um pequeno acidente no laboratório – Começou Kate. - Mas foi totalmente sem querer... – Completei. Contamos pra ele o que fizemos.

– Lamento garotas, mas terei que dar uma suspensão de dois dias pra vocês. – Ele disse pegando um papel e assinando.

– SUSPENSÃO? – Perguntei espantada.

– Mas nem foi tão grave. – Kate o encarou.

– São regras da escola. – Disse sério. - Pelo amor de Deus viu. – Revirei os olhos.

– Peguem suas coisas e até quinta-feira. - Nos entregou o papel e logo depois deu um sorrisinho forçado. Cínico. Saímos da secretária e fomos até nossa sala pegar nosso material, ela ainda se encontrava vazia. Pegamos as coisas e saímos da escola.

– A Emma vai matar a gente. – Respirei fundo. - Calma, a gente conversa com ela. – Kate deu de ombros.

– E se der um ataque nela e ela quiser falar com meu pai ou sua mãe? – Perguntei preocupada.

– CALADA! Ela não vai fazer isso. Espero.

– Como vamos embora? – Perguntei parada em frente ao portão da escola.

– Temos que ir a pé, único jeito. – Kate me encarou. - Oh céus. – Respirei fundo. Depois de uma bela caminhada, chegamos ao prédio.

– Posso até ouvir o coro de aleluia. – Falei aliviada. - Vamos logo, quero mijar. – Kate disse apressada o que me fez rir.
Pegamos o elevador e quando entramos no apartamento só tinha Andy preparando o almoço.

– Meninas, vocês não deviam estar na escola? – Perguntou confusa.

– Sim, devíamos. – Dei ênfase na palavra.

– O que que houve? – Perguntou assim que viu Kate subindo as escadas em disparada.

– Saímos mais cedo. – Sorri de lado e ela assentiu com o sorriso doce de sempre.
Subi pro quarto e joguei minha mochila na cama e sentei na mesma.

– Esse treco verde vai sair da nossa nossa roupa? – Kate perguntou olhando no espelho. - Não faço ideia.

Nos trocamos e minutos depois ouvimos a voz da Emma vindo da cozinha. Descemos as escadas e pudemos ver Emma pegando as chaves do carro prestes a sair novamente.

– Andy, vou indo buscar Zoey e Kate na escola.

– Não Emma, estamos aqui! – Falamos indo até ela.

– Mas oque? Como? – Sua expressão era confusa.

– Voltamos a pé. – Sorri fraco.

– Ah sim... Então vamos almoçar. – Sorriu jogando sua bolsa e a chave do carro no sofá.

– Fala você – Kate sussurrou pra mim. - Não, você – Sussurrei de volta.
– Não, você! - Você! - Você! - Você!

– Tá bom, que coisa! – Kate revirou os olhos. - Mas então, chama que eu falo. – Concordei.

– Emma... – Falei no tom mais meigo e calmo possível e ela se virou pra nós sorrindo.

– Então... É o seguinte.. – Kate entregou o papel pra ela que fez uma cara confusa.
Assim que terminou de ler havia algumas rugas em sua testa.

– Calma, posso explicar! – Kate disse num tom calmo. - Explique então. – Disse séria.

Depois de explicar todo o ocorrido, Emma nos encarou e ficou pensativa por alguns segundos.

– Olha, eu deveria ligar pros pais de vocês e contar isso...

– Não Emma, qualquer coisa, menos isso. – Falei desesperada.

– Mas, não vou. – Suspirei de alivio. - Só não quero que isso se repita, ok? – Eu e Kate assentimos.

– Nunca mais vai se repetir, garantimos. – Kate sorriu.

– Se isso se repetir, vou ser obrigada a ligar pra eles e não quero isso. Já estão avisadas.
Ela assinou o papel e nos entregou de volta.
– Venham, vamos almoçar.

– Cadê Dominic e o Adam? – Perguntei.

– Não sei, devem ter ido almoçar fora – Emma deu de ombros. – Já acostumei com isso. – Riu de leve.

Depois de almoçar, ajudamos Andy a organizar a cozinha, mesma ela teimando que não precisávamos. Fomos ver TV na sala e alguns minutos depois Adam apareceu.

– Olá meninas – Ele sorriu. - Oi, cadê todo mundo? – Perguntamos.

– Aqui! – Cinco vozes que conhecíamos muito bem responderam e entraram no apartamento like a purple ninja correndo até nós duas com várias armas de água.
Não deu tempo nem de levantarmos do sofá direito e já sentimos vários disparos de água em nossa direção. Peguei algumas almofadas e tentei me cobrir com elas, mas não deu certo, eles as jogavam longe, Kate tentou se esconder de baixo da mesa de
de jantar mais também não deu certo.

– AH! CHEGA, PAREM COM ISSO! – Gritamos.
Dois minutos depois do nosso grito eles pararam.

– Só por que acabou a munição. – Tom riu se sentando no sofá.
Kate e eu estávamos molhadas e encarando eles seríssimas.

– Vocês. Vão. Se. Arrepender. Disso! – Quando terminei a frase Kate e eu saímos correndo atrás deles.

Eles estavam em seis e nós em duas, parecíamos duas baratas tontas sem saber pra onde correr enquanto eles riam de nós como se não houvesse amanhã.
[...]
Tinha acabado de bater o sinal, larguei minhas coisas na carteira e fui chamar Kate que estava praticamente largada em cima de seus livros, dormindo.

– Ei acorda, babona. - A cutuquei, assustando-a e fazendo despertar rapidamente. 

– Oi? O que? Não tava dormindo. - Ela se levantou coçando seus olhos e observando toda sala que já se encontrava vazia.

– Magina, só faltou roncar. Vamos logo, se não a comida acaba e passamos fome. - Puxei Katherine comigo, saindo da sala. 

Passamos por aquele corredor enorme, poderia até apelida-lo de corredor da morte. A cada armário que nós víamos, tinha aqueles valentões batendo em algum nerd. Era pior que cena de filme clichê. 
Fomos logo para o refeitório, pegamos nossas bandejas e tratamos de nos servir com aquela gororoba que chamavam de comida. Era aquilo ou morreríamos de fome. Nos sentamos na primeira mesa que tinha perto. 

Começamos a comer e aquilo estava nojento, Kate olhou pra mim e mostrou sua boca cheia de comida mastigada. Apenas ri e retribui com o mesmo gesto. 
As metidinhas das lideres de torcida já nos encaravam com uma cara de: "O que essas duas estão fazendo?"
Continuamos a brincadeira, assim que me distrai pude sentir uma gosma voar no meu rosto, passei a mão e vi que era molho.

Encarei Kate que estava quase fazendo xixi na calça de tanto rir. Peguei um pouco de purê e taquei em seu cabelo. E assim começou a guerra de comida, ou melhor, aquilo que nos renderia mais uma detenção. 

Quando pudemos perceber o refeitório inteiro estava sujo de comida, não só nossa,
mas parece que o pessoal tinha gostado da ideia. 
Minha roupa parecia que tinha sido atacada em um caldeirão de carne moída. Tinha folha de alface na minha cabeça.

Os garotos estavam em cima das mesas, zoando, gritando, colégio fazendo cosplay zoológico. 
Direcionei meu olhar para a porta e vi as lideres chegando com o tal do inspetor. Elas apontaram para mim, Katherine, fazendo o mesmo vir em nossa direção quase soltando fumaça pelos ouvidos.

– Baker e Russel, venham comigo, agora. - Ele ordenou apontando em direção a porta.

Assentimos e saímos de fininho, sem ninguém perceber. Quando estávamos bem distantes do refeitório, o inspetor virou e começou o seu sermão. 

– Acho que ambas estão com problema em seguir regras. Mais um problema em menos de dois dias? Vocês estão com sorte, me pegaram em um dia de bom humor. Não levarei vocês para a direção, porém, as duas terão que cumprir detenção pintando o muro dos fundos. 

– Tudo bem.. - Sussurrei. 

Ele abriu a porta que estava ao seu lado, nos deus algumas coisas e praticamente expulsou nós duas do corredor. 
Kate foi arrastando dois baldes de tinta e eu fui segurando os pinceis. 
Quando chegamos la nos deparamos com um enorme muro pichado. Não pronunciamos nenhuma palavra, apenas começamos a pintar, afinal o inspetor estava nos observando ainda. 

Passamos uma meia hora pintando tudo certinho, com aquele tédio, silencio, assustadores. Logo que Kate percebeu que o velho tinha ido embora, me cutucou e apontou para a porta.
Ergui as mãos para o céu agradecendo. 

– Que bosta de vida. - Reclamei.

– Bosta por que? Podemos nos divertir com a tinta. 

– Ah não Katherine, o que você tem em mente? 

Kate me observou e soltou uma risada, aquela risada maléfica. Molhou o pincel no balde de tinta e jogou o mesmo no meu rosto.

– Sua puta. - Ri. - Fiz o mesmo que ela, mas dessa vez, peguei a tinta com a minha mão e joguei em sua camiseta branca.

Assim começamos mais uma guerra, só que de tinta. Não parávamos de rir um minuto, o chão já se encontrava alagado de tinta.
Quando eu fui pegar mais uma lata, pois tínhamos acabado com as duas, escorrei e cai de bunda no chão. Kate não poupou mais risos e simplesmente sentou no chão para rir. Ficamos mais um tempo fazendo merda, quando ouvimos um berro:

– Não acredito que vocês fizeram isso. - Era o inspetor quase nos fuzilando com o olhar. 

– Foi sem querer. - Kate berrou. 

Rapidamente nos levantamos e ele veio em nossa direção. Assim começou o segundo sermão do dia. O inspetor nos levou para diretoria, o velho do diretor nos xingou, só faltou nos expulsar daquele inferno. Ainda disse que se fizéssemos mais alguma coisa, mesmo sendo minima, iriamos voltar para o Brasil. Não sei se ele tinha todo esse poder, mas nos avisou, deixando bem claro.

Voltamos para a casa com o cu na mão, rezando para Emma não ter chegado no trabalho ainda.

• Capítulo 25

Por mais que perguntássemos para onde iriamos, ou o que tinha lá, como era, eles se recusavam a responder.Quando chegamos perto do local, percebi que já conhecia, porem, como tinha a memória um pouco fraca, não me lembrava do nome.

– Esse é o London Eye garotas. - Max apontou para a enorme roda gigante. 

– É lindo. - Respondendo em um coro boquiabertas, admirando a paisagem. 

Os dois não esperaram e puxaram nós duas para fila, que estava um pouco grande. Ficamos fascinadas com tudo aquilo, era tão.. grande, iluminado, perfeito. Nathan tirou os quatro bilhetes e deu para o moço, assim entramos no local. 

– Vem Nathan. - O puxei animada.

– Você vai querer ir na roda gigante? - Ele apontou para a mesma fazendo cara de nojo.

– Claro! Você me trouxe aqui pra que? Pra ficar vendo os outros derrubarem pipoca no chão? Pelo amor de Deus. - Revirei os olhos. - Olha o Max e a Katherine, já estão quase na fila. 

Nathan ficou encarando o grande brinquedo com uma cara de bunda insuportável, como já não tinha muita paciência bufei e o puxei novamente, fazendo com que ele andasse até onde os outros dois estavam. 

– É tão alto. - Katherine comentou com Max apontando para uma das cabines.

Eu nem tinha me tocado da altura, até a inútil da Kate comentar. Sim, eu tenho acrofobia, praticamente me cago de medo de fazer qualquer coisa que me tire fora do chão. Parecia que estava ficando nervosa, pude sentir minhas mãos suando e meus músculos ficando paralisados. 

– Zoey, você ta bem? - Nathan me fitou preocupado. 

– S-S-Sim.. Vai demorar muito? - Fiz questão de mudar de assunto, já tinha xingado tanto o Nathan por ser cagão demais, não queria que ele descobrisse que eu de certa forma, era medrosa. 

Rapidamente nossa vez e chegou, eu já estava toda travada, Katherine percebeu e me deu um empurrão me fazendo voltar ao normal. Subimos na cabine e a primeira coisa que eu fiz foi sentar e mandar todos não fazerem aquela coisa enorme balançar.

– Ta com medo Zoey? - Max perguntou rindo.

– Cala boca. Não é medo. É apenas... - Serrei os dentes, engolindo seco. - Ta, é medo. Morro por causa de altura. - Confessei em um jato de palavras. 

– Nossa, ela paga de fodona mais tem medinho. - Nathan ergueu os braços fazendo uma voz fininha. 

– Seu imbecil, o mais zoado, cagado dessa cabine aqui é tu. Se fode! - Gritei.

– A mulher ta estressada, cadê o sexo? - Kate comentou gargalhando. 

– Como vocês são filhas da puta. - Revirei os olhos. 

Os três ficaram me zoando, porem não dei muita importante, fiquei entretida demais com a paisagem que tinha ao lado de trás do vidro. Eu estava hipnotizada por Londres, aquilo tudo parecia um sonho. 
Nathan chegou mais perto de mim, envolvendo seus braços em volta dos meus ombros, fazendo-me se acomodar em seu peitoral. Ele depositou um beijo estalado em minha cabeça, enquanto ficávamos observando o lado de fora. 

Quando virei minha atenção para chamar Kate, vi ela e Max quase se pegando, não pude deixar de acabar com a felicidade dos dois. 

– Olha isso, isso é uma cabine, não um motel. 

– Max se você quisesse comer a Katherine, por que não foi logo pro motel? - Nathan perguntou ironizando.

Os dois pararam de se beijar e nos encararam com um olhar de desprezo.

– Nossa, quem vê pensa que vocês são uns santos quando estão juntos. - Kate revirou os olhos.

– Você ouviu isso Zoey? - Nathan perguntou boquiaberto. - Assenti. - Estão nos acusando de tarados, onde já se viu isso. 

– Pois é, quem vê pensa que não nos comportamos nos lugares. Olha como estamos agora? Apenas sentamos apreciando a paisagem. 

– Cínicos. 

– Voltem a se comer, vai. - Nathan falou impaciente e logo depois soltou um riso. 

O percusso estava quase no final, então nós levantamos e quando a roda gigante parou, descemos. 

– Estou com fome. - Comentou Max. - Mas é fome de cachorro quente. 
– Olha aqui, eu e a Katherine vamos comprar cachorro quente, pode ser? 

– Tudo bem. - Eu e Nathan assentimos. - Vocês vão voltar? - Kate desviou o olhar e começou a assoviar, Max só deu uma risada e pegou na mão dela, saindo de perto de nós.


KATHERINE'S POV


– Você sabe pra onde vamos, né? - Max me fitou sorrindo. 

– Não, não, sou burra. Vamos comprar cachorro-quente! - Ironizei encarando-o. 

Ele soltou uma gargalhada, balançando a cabeça sem sinal de desaprovação.
[...]

[+18] Adentramos o apartamento e, logo, Max me guiou para o quarto. Ele me deitou na cama e me puxou, consequentemente, fazendo com que eu caísse por cima dele. Sua língua pediu passagem e eu cedi. Ele inverteu nossas posições, ficando por cima de mim sem interromper o beijo. Passei as mãos por debaixo de sua camisa e a tirei minutos depois. Ele fez o mesmo com a minha blusa e minha calça. Abaixei sua calça deixando sua cueca a mostra, fazendo Max gemer por conta do atrito da peça com sua ereção. Ele começou a beijar meu pescoço e dar leves mordidas no mesmo até chegar no sutiã, tirando-o com a boca e o atirando para longe. Max começou a fazer movimentos circulares com sua língua em meus mamilos, que já estavam para lá de intumescidos. Eu gemi baixo e arranhei suas costas quando ele começou a chupar meus seios. 

– Max...

Ouvir seu nome pareceu incentivá-lo, porque ele passou a sugar com mais vontade.
Ele deixou meus seios e continuou a percorrer sua língua até por toda minha barriga, até chegar a minha calcinha. Max tirou a mesma e passou sua língua pela minha virilha, fazendo-me soltar um gemido abafado. 

Ele se posicionou, abriu minhas pernas, penetrando seu dedo indicador e depois estimulou meu clitóris levemente. Ofeguei de prazer quando seu dedo começou a acariciar meu clitóris fazendo pequenos movimentos circulares ali, apertei-me mais contra ele e logo senti dois dedos me penetrarem, aumentando a velocidade dos movimentos. Soltava gemidos baixos, com medo que alguém chegasse e ouvisse o que estávamos fazendo. Quando percebi que logo estava chegando ao meu ápice, escutei passos vindo do corredor do apartamento, depois de alguns segundos alguém bateu na porta. 


– Vocês estão vivos? - Era Nathan do outro lado quase derrubando a porta. Pude perceber que Zoey estava com ele, pelos risos. 
Eu e Max nos encaramos saindo de todo aquele transe. [-18]
Ele apenas bufou e revirou os olhos. Fiz sinal para nós saíssemos rapidamente, então, Max se levantou e olhou para baixo, dando a entender que não dava, apenas joguei sua camiseta que se encontrava do meu lado para ele colocar. Nos arrumamos e mandamos ambos entrarem.

– Minha nossa, que demora foi essa? - Zoey maliciou.
Eu a encarei e ela logo em seguida soltou uma gargalhada. Max só faltou fuzilar Nathan com o olhar, que pareceu ter entendido o recado. Ficamos conversando um pouco, Max tinha deitado do meu lado e se coberto, para esconder o volume. Já havia passado da uma da manhã, Zoey estava enchendo meu saco para ir embora. 
Me despedi de Max e Zoey de Nathan, logo que descemos para pegar o elevador, Baker já foi me bombardeando de perguntas. Expliquei tudo que aconteceu e ainda completei comentando sobre a raiva absurda que eu estava do "namoradinho" dela.

Chegamos no apartamento de Emma e fizemos o minimo de barulho, Zoey fez questão de lembrar que amanhã tínhamos aula.. Minha vida estava boa demais até agora, precisava acontecer algo para estragar.

• Capítulo 24

NATHAN'S POV

Já faz vários dias que Zoey anda recebendo presentinhos de anônimos. Isso não é algo que me agrada, pois se ela recebe isso significa que tem mas alguém de olho nela. É, isso definitivamente não me agrada. Ela vive dizendo que não tá nem ai pra isso, mas eu não acredito muito, que garota não gosta de ficar recebendo presentinhos de anônimos? Hoje tinha combinado de sair combinado de sair com ela, fui tomar banho e me arrumar. Quando olhei no relógio percebi que eu estava atrasado. Bem atrasado, droga.

– Nathan você... – Jay começou a falar mas não deixei ele terminar.

– Agora não Jay, estou atrasado, tchau. – Disse saindo em disparada pela porta.
Apertei o botão do elevador mais ele estava demorando demais. Quem precisa de elevador quando se tem escadas? Não sou aleijado. 
Fui em direção as escadas e desci que nem um raio, pulando vários degraus. Quase caí algumas vezes, mas faz parte, estava prestes a sair do prédio e quando fui colocar meu boné acabei trombando com alguém. Merda. 

– Ei, cuidado. – Falei olhando em volta á procura do meu boné.

– Você que estava correndo feito um louco. – O garoto respondeu.

Olhei pra ele e vi que era aquele nerd que deu uma trufa á Zoey. Percebi que ele estava olhando em volta e apalpando os bolsos como se estivesse procurando por algo. Olhei ao meu lado e vi meu boné, assim que o peguei notei que havia uma câmera digital ao lado, minha não era, só podia ser isso que o nerd estava procurando. A câmera estava ligada, assim que a peguei para entrega-lo havia uma foto aberta que me chamou atenção. Observei melhor a foto. Espera, eu conheço esse cabelo. Não era possível, era a Zoey? Por que tinha fotos dela na câmera desse garoto? Comecei a passar as fotos –que por sinal eram muitas- e eram tiradas estilo paparazzi, como se ele estivesse sempre observando ela.

Espera, tinha foto dela na piscina junto com a Kate, tomando sol, arrumando seu biquíni? O que esse nerd tá pensando? Uma raiva imensa me tomou, minha vontade era de fazer aquela câmera descer garganta a baixo, mas me controlei.

– Sua câmera .– Entreguei pra ele sorrindo cínico.

– Ah, valeu tchau. – Ele saiu correndo pra dentro do prédio.

Atravessei a rua e vi Zoey sentada na calçada com fones de ouvido, assim que ela me viu abriu um sorriso enorme e se levantou.

– Me atrasei muito? – Perguntei soltando um riso leve.

– Bastante, não muito. – Rimos.

– Zoey, por que aquele nerd tem bilhões de fotos suas na câmera dele? – Soltei tudo de uma vez.

– O que? – Sua expressão foi de total confusão.

– É, eu acabei de esbarrar com ele e vi muitas, muitas fotos sua na câmera dele. Tem até sua na piscina. – Cruzei os braços.

– Mas oque? Como? Hã? – Ela estava desentendida.

– Acho que alguém andou te espionando.

– Não, não é possível. Eu vou lá falar com ele, espera aqui.- Assenti.

Ela saiu em disparada pra dentro do prédio, me encostei no carro que estava estacionado ali para espera-la.

ZOEY'S POV

Entrei no prédio em busca do Lewis até que o vi sentado perto da piscina, me aproximei dele.

– E aí... - Falei me sentando ao seu lado. - Lewis? OOOOI? Lewis? - Falei tirando os fones de ouvido dele.

– E aí. - Disse olhando pra baixo.

– Escuta, você e eu temos que conversar. - Assim que terminei a frase ele me encarou. - É você que fica deixando, flores, bombons, ursinhos, recadinhos pra mim?

– S-s-sim - Ele gaguejou fazendo sinais positivos com a cabeça.

– Ahh. - Falei olhando pros lados. - Então, acho isso muito fofo, mas é que.. - passei a mão na minha franja. Eu não sabia o que dizer pra ele, e pra ajudar ele só ficava calado. - É que isso, incomoda... mas não á mim. - Me enrolei.

– Ah, que chato. - Deu de ombros.

– Mas também tem outra coisa... - Falei mordendo os lábios inferiores- O Nathan viu sua câmera.

– Não, não, não, não pode ser. - Ele disse com as mãos na cabeça e respirando fundo.
–
Me perdoa dizer isso Lewis, mas isso já é obsessão, é uma coisa doentia e me deixa assustada. Você tem que parar com isso, vai ser melhor, isso não é certo, você tem que procurar aju...

– CALA A BOCA! VOCÊ NÃO PODE DIZER ISSO. – Ele ficou de pé segurando meus braços com muita força e me "jogando" no chão.

– AI! - O encarei assustada. Ambos estávamos ofegantes. Aquele menino era louco, só podia. Mas eu não vou ficar aqui caída como uma menina indefesa, não mesmo.

– ME BATE! É O QUE VOCÊ QUER NÃO É? ME BATE ENTÃO, VAMOS ME BATE. - Falei me levantando e ficando de frente pra ele.

A cada palavra eu dava um passo pra frente e ele ia indo pra trás. A cada segundo ele ficava mais ofegante, sem ar, seus dentes estavam cerrados, era claro perceber que ele estava com raiva. - Mas vê se depois não vai ficar sem ar e se afogar que nem um peixe. - Apontei o dedo na cara dele. Ele se apoiou em uma das cadeiras, se sentou com a mão no peito e caiu deitado na mesma.

– Não, não, não, Lewis. - Falei rapidamente. - Ei, era brincadeira, era brincadeira. - Comecei a dar leve tapinhas no rosto dele. Ele estava ficando realmente sem ar, se contorcendo e eu ficando cada vez mais preocupada. Ótimo, só me faltava ele morrer ali. - Lewis respira, por favor respira! - Falei com as mãos na cabeça.- Ai meu deus, Lewis que isso por favor. Agora ele se encontrava sentado com as mãos na lateral da cabeça, gemendo e de olhos fechados.

– Eu estou bem, me deixa.

– Mas Lewis...

– SAI DAQUI, ME DEIXA. - Berrou.

O obedeci e saí de lá. Ainda estava atordoada com o acontecimento, fui em direção a saída do prédio e Nathan ainda se encontrava do outro lado da rua, encostado em um carro me esperando. Atravessei a rua e quando cheguei á sua frente ele já veio com perguntas.

– Ei, você falou com o louco do 220? - Me encarou

– Sim. - Olhei pros lados. - E como foi? - Me lançou um olhar curioso. - É.. então.. uhn..

– Espera! O que é isso no seu braço? - Ele disse apontando para o mesmo onde havia uma marca vermelha.

– Foi o Lewis. - Respirei fundo.

– O QUE? - Sua expressão era perplexa. - EU VOU MATAR AQUELE NERD PUNHETEIRO! – Nathan respirava fundo, dava para perceber que seus nervos estavam a flor da pele.

– Não Nathan, você não fará nada.

– O que você irá fazer para me impedir?

– Vou te tirar daqui, antes que acabe fazendo alguma besteira e estrague o nosso dia. - Sai andando e puxei Nathan pela mão, o levando comigo.

Passamos a tarde toda andando sem rumo e quando anoiteceu fomos ao cinema e assistimos vários filmes. Eram 23:40h quando o ultimo filme acabou, as gargalhadas não foram poucas, ainda mais com Nathan imitando alguns personagens do filme o tempo todo, eu gargalhava sozinha e todos me olhavam, e ainda por cima ele como se fazia de cínico dizia: “Olha o mico, não sei porque esta rindo.” Voltamos pro prédio e quando entramos no apartamento de Emma, vi que o pessoal estava sentando na sala.

–Vocês não tem moradia não? – Ri de leve.

– Tá nos expulsando daqui? – Perguntou Tom.

– Sim. – Falei séria dando os ombros e ele fez uma expressão surpresa. - Estou brincando. – Ri.

– Suspeitei desde o principio.

– Hm, onde vocês estavam até agora? – Jay perguntou num tom de malicia.

– No cinema. – Respondi.

– Hummmm, no escurinho do cinema – Completou Max.

– Ei, lá é lugar publico gente. Cuidado. – Jay riu.

– Trouxa. – Nathan deu um tapa na cabeça do Jay.

– AAI! – Jay exclamou.

– Tapa de amor não dói.– Adam disse e todos nós soltamos uma gargalhada.

Kate estava sentada no chão e me dirigi até ela me sentando ao seu lado.

– Ow, o Nathan viu a câmera do Lewis e estava cheia de fotos minhas – Comentei.

Ela me olhou com uma expressão confusa. Contei pra ela do dialogo que tivemos.

– Ele teve uma taque de asma? – Arregalou os olhos.

– Sim, pensei que o menino ia morrer na minha frente.

– O Nathan vai atrás do menino, quer apostar? – Me olhou levantando uma sobrancelha.

– Será?

– Filha, estamos falando do Nathan Sykes. É óbvio que vai.

Dei de ombros e conversamos lá por mais um tempo, depois todos foram embora. Vários dias se passaram e não recebi mais nada de anônimo e nem vi mais o Lewis pelo prédio. Graças a deus.

XxxxXxXxXxxXx

Me arrumei o mais rápido que pude, Nathan já estava quase me comendo viva pelo atraso. O engraçado é que, ele pode se atrasar o quanto quiser, mas quando se trata de outra pessoa, faz um escândalo.

– Já estou dentro do elevador. - Bufei. - Sai correndo, fechando a porta do apartamento, desliguei o celular e optei por subir pelas escadas mesmo, demoraria o dobro até o elevador chegar.
Continue correndo, subindo uns cinquenta degraus até chegar ao andar dele. Finalmente quando cheguei, Nathan estava me esperando na porta, mexendo no celular.

– Amém, que demora. - Veio em minha direção dando um selinho.

– Olha quem fala né Sykes, eu me atraso uma vez e tu quase morre. Agora quando se trata de você.. - Revirei os olhos.

– Sou especial. - Se gabou. Vamos logo, todos estão nos esperando no Starbucks. - Nathan pegou minha mão e lá fomos nós.

Assim que chegamos na famosa cafeteria, pude ver que Jay, Siva, Adam & Tom, sentados ao lado da janela.
Fomos até eles, nos sentamos e ficamos conversando até Katherine, Max, Dominic darem o ar da graça no local, o que não foi tão rápido.

– Eles chegaram, graças a Deus.

– Mas aonde os três e.. essas duas meninas, pera. - Pausa. Como vocês se chamam? - Perguntei enquanto me levantava e estendia a mão para a menina alta, loira, com os cabelos levemente cacheados nas pontas, ela me fitava com curiosidade.. Eu apenas fui simpática.

– Meu nome é Kristen. - Ela abriu um sorriso, dando um aperto de mão. - Prazer, sou a Zoey! E você é? - Me referi a menina com cabelos negros que estava ao seu lado, ela parecia ser um pouco menos extrovertida que Kristen.
Ela colocou uma mecha do seu cabelo atrás da orelha para poder nos enxergar melhor, estendeu a mão e me cumprimentou.

– É Elena. - Sorriu de leve. - O meu é Zoey, como já havia falado.
Tratei logo de apresentar ambas para os meninos na mesa, Dominic disse que as duas eram suas amigas no colégio.
Depois de um tempo papeando pude perceber que Kristen não tirava o olho de Siva e Siva não tirava o olho de Elena, que quase nem proferia sequer uma palavra durante a conversa que estávamos tendo.

– Huuum, Elena. - Fui me sentar ao lado de Siva e cochichando perto do mesmo. Ele me olhou espantado e apenas fez sinal de silencio com o indicativo.

– Toma seu café e fica de boa. - Riu.

– Se rolar algo aguarde, porque vou encher seu saco até você me mandar calar a boca.

Siva balançou a cabeça negativamente e voltou a fitar, diria, secar Elena que estava do outro lado da mesa. Toda vez que ele tentava dar uma "investida" nela, ela se virava, fingia que não estava nem o ouvindo.
Enquanto Kristen, quase faltou ajoelhar e pedir para que Siva desse um pouco de atenção para ela.

A noite tinha caído quando nós demos conta, Max e Nathan se fitaram, pareciam que estavam se comunicando por olhares. Então, os dois tomaram a iniciativa e se levantaram da mesa, exitando:

– Precisamos ir embora.

– O que? Por que? - Todos os encararam.

– Marcamos de sair com Katherine e Zoey. Não podemos nos atrasar. - Nathan encarou todos enquanto me puxava.

– Nathan Sykes, falando de atraso? - Tom soltou uma gargalhada. - Piada do século.

– Cala boca. - Riu.

Eu e Kate nos encaramos, porque até agora só sabíamos que iriamos sair com todos a tarde. Mas, mesmo assim não negamos nada sobre o combinado, nos despedimos e os quatros foram para o outro lado da rua.

– Que história é essa de "mercar de sair" Mr. George? - Kate o fitou cruzando os braços, esperando uma resposta convincente.

– Era a unica desculpa que pensamos na hora para tirarmos as duas de lá. - Revirou os olhos.

– Engraçado que você informa as pessoas né, Nathan?

– O que estamos fazendo é uma surpresa, as duas parem de fogo e nos sigam. - Ele começou a caminhar e Max o seguiu, deixando nós duas paradas atras, pensando.

Logo eu e Kate, resolvemos correr atrás dos dois, que estavam em uma certa e longa distancia..
Depois de uma corrida básica até eles, o caminho até o lugar misterioso foi silencioso. Só ouvíamos o barulho do transito. Por mais que perguntássemos para onde iriamos, ou o que tinha lá, como ere, eles se recusavam a responder.

• Capítulo 23

Fomos até a sala, o que Max e Kate queriam era apenas avisar para irmos embora pois Emma estava ligando desesperada. 
Descemos até o nosso andar e quando chegamos lá, Nathan e Max tiveram que dar uma boa, mas muito boa explicação para ela, que estava furiosa com ambos. 

XxxXxxxXxx


Acordamos na hora do almoço e isso não era novidade né? Adam e Dominic vieram animadas pedindo para irmos ao shopping e concordamos, já que não tínhamos nada de bom pra fazer. Compramos algumas coisas, tomamos um sorvete e voltamos pra casa. Assim que chegamos olhei pro chão e um envelope azul chamou minha atenção, Adam, Dominic e Kate entraram direto e nem perceberam. Me abaixei e peguei o envelope, obviamente seria para Emma então dexei em cima do balcão da cozinha e fui pro quarto levar minhas sacolas. 


– ZOOOOEY!! - Ouvi Emma me chamar alguns minutos depois.

– TO INDO!- Respondi descendo as escadas. - O que foi? - Perguntei assim que cheguei
na cozinha.

– Esse envelope azul, é pra você. - Me entregou.

– Pra mim? - Perguntei confusa e ela assentiu.

Que estranho, por que diabos eu iria receber um envelope azul? Me encostei no balcão e o abri, tirei o papel dobrado em três partes que se encontrava dentro do envelope e comecei a ler, nele dizia:

"Você me faz tão obsessivo ás vezes, eu sinto como se fosse perder minha cabeça. Eu estou perdido, eu sou inútil sem você. Tudo que eu preciso é você comigo." 

– Cara, que bosta é essa? - No mesmo instante Dominic e Kate aparecem na cozinha.

– O que foi? - Perguntaram curiosas.

Mostrei o papel pra elas que acharam que só podia ser troll dos meninos. Levei o envelope pro quarto e joguei dentro de qualquer gaveta. Voltei pra cozinha e preparamos algo para comermos e ficamos de bobeira o resto da tarde.

Uns três dias depois da aparição desse envelope misterioso, eu estava com o Nathan na sala vendo televisão quando a campainha tocou. Fui até a porta e olhei pelo olho
olho mágico, não havia ninguém. Estranho. Abri a porta e vi que no chão tinha um buque de rosas vermelhas, pra quem será que era? Pra mim que não devia ser. Peguei o buque o voltei pra sala.

– Quem era? - Nathan perguntou desinteressado.

– Ninguém... Eu acho. Mas, seja lá quem for deixou isso - Me referi ao buque.

– E pra quem é? - Perguntou desconfiado.

– Não sei.

– Vê se tem algum cartão ou algo - Sugeriu.

Olhei no meio das rosas e notei um cartão pequeno, o peguei e nele dizia:
"PS: Eu te amo, Zoey Baker!"
Mas que porra é essa? Quem iria me dar flroes com um cartão escrito eu te amo? É pegadinha, não é possivel.

– Então, pra quem é? - Nathan perguntou novamente.

– Pra mim - Falei num tom duvidoso franzindo o cenho.

Nathan ficou sem expressão e um silêncio mortal dominou o recinto durante alguns minutos. Aquilo já estava incomodando. Então decidi falar alguma coisa.

– Nathan, me diz que foi você que mandou alguém deixar esse buque aqui na porta. - O encarei séria.

– Não tenho nada a ver com isso. - Ele continuava sem expressão.

– Admite, foi voce né? - Continuei olhando pra ele.

– Não fui eu!

– Claro que foi para de zoar com a minha cara.

– NÃO FUI EU CARALHO, MAS QUE INFERNO! - Ele gritou levantando do sofá e jogando uma almofada no chão com raiva.

– Mais minha nossa, se acalme! - Falei pegando a almofada do chão.

Ele me ignorou e subiu as escadas em direção ao quarto bufando, quase afundando o piso do apartamento. Coitado do morado de baixo. Peguei as flores e falei pra Andy por dentro de algum vaso. Quando voltei pra sala e sentei no sofá, ouvi passos furiosos descendo a escada. Pronto, lá vem.

– QUE BOSTA É ESSA? - Ele estava com o envelope azul nas mãos.

Como ele achou aquela merda?

– Então, eu achei isso na porta do apartamento uns dias atrás...

– E por que você não me contou? - Cuspiu as palavras em um tom sarcástico.

– Não havia necessidade. - Dei de ombros.

– Claro que é necessário, quero saber quem está te mandando isso.

– Nem eu sei, como você quer que eu adivinhe? - Cruzei os braços.

– Claro que sabe. - Me encarou.

– Até cinco minutos atrás eu estava pensando que era você e agora você acabou com minhas esperanças.

– Ah claro, sei tá bom. - Soltou uma risada ironica.

– Você não acredita, não confia em mim? Acha que eu mentiria pra voce?

– Acho. - Sua expressão era séria.

– Interessante sua desconfiança. - Revirei os olhos. - Então a gente não pode ter nada, já que você não confia em mim. - O fitei com cara de nojo.

– Não, eu não quis dizer isso. Assim, tipo, você tá levando pro lado errado. - Ele tentou concertar a cagada.

– Lado errado? Não tem lado errado, você deu a entender isso.
Ele ficou uns dois minutos em silêncio, estava prestes a deixar ele falando sozinho na sala, quando começou de novo.

– Não, não é isso, eu estava puto, fiquei com raiva, com ciumes, não leve a mal. Eu falei sem pensar se coloque no meu lugar, você faria a mesma coisa. - Sua expressão era de arrependimento.

Fiquei em silêncio, não sabia o que responder á ele.

– Zoey? Oi? Fala alguma coisa...

Levantei do sofá e fui até a cozinha, Nathan veio atrás de mim. Abri a geladeira, peguei um pouco de agua e bebi. Respirei fundo e o encarei por alguns segundos.

– Zoey, Não me ignora.

– Ai Nathan, tá. - Falei impaciente.

– Me perdoa - Ele se aproximou de mim fazendo carinha de criança.

– Tá, tá. - Virei o rosto e bufei.

– Você está irritada comigo né? - Me encarou.

– Não. - Falei séria.

– É, eu sei que você está. E tem motivos pra isso.

– Da licença vai. - Falei tentando sair da frente dele, mais ele me segurou.

– Me desculpa, vai foi sem querer... - Ele insistia.

– Que coisa, me solta!! - Tentei empurra-lo mais ele segurou meus pulsos.

– Me perdoa, amor. - Nathan foi se aproximando de mim e dando beijinhos pelo meu rosto.

– Para com isso!

– Por favor, você sabe que foi no momento de raiva e que eu confio mais em você do que em mim mesmo, me perdoa... - Disse todo manhoso, choramingando.

– Tá bom, eu te perdoo. - Dei um meio sorriso.

Foi tão lindo o sorriso que ele deu logo após eu terminar essa frase. Voltamos pra sala e continuamos a ver TV, ele ficou todo meigo, me paparicando. Confesso, eu amava quando dava esses surtos de fofura nele.


Passaram-se dois dias do acontecimento anterior e estávamos todos no corredor do apartamento, conversando e rindo. Eis que me aparece um garoto, alto, com algumas espinhas no rosto, seu cabelo era levemente castanho, com um óculos fundo de garrafa, usava uma camiseta do Avenged Sevenfold, uma calça jeans e um all star. Ele veio andando em minha direção.

– O-oi Zoey - Ele gaguejou e sorriu nervoso.

– Então galera, vamos entrar? - Disse Dominic abrindo a porta do apartamento.
Todos eles entraram. Lancei um olhar de "Por favor, não me deixe aqui sozinha" para Nathan, mais Kate o puxou pra dentro e fechou a porta antes que ele pudesse me responder.
DROGA! DROGA! Não queria ficar ali sozinha com aquele garoto, mas teria que ficar.

– Oi...?

– Lewis. - Me encarou.

– Oi Lewis. - Sorri.

– É.. e-então. - Ele estava nervoso e dava passa perceber gotículas de suor escorrendo pela sua testa.

– Então o que?

– E-eu trouxe e-essa t-trufa pra.. - Antes de ele terminar, ele começou a franzir o nariz e a fechar os olhos.

Merda.

– Tá tudo bem Lewis? - Perguntei.

– AAAAAATCHIM! - Ele espirrou na minha cara.

Senti meu rosto meio úmido. QUE NOJO, QUE NOJO! Ele espirrou em mim, não acredito.

– Oh deus, Zoey... Me desculpa, foi sem querer, me perdoa, sério, por favor. - Ele disse rapidamente e começou a tentar limpar meu rosto.

– Não Lewis, relaxa de boa, essas coisas acontecem. - Sorri fraco.

– Então, pra você. - Ele sorriu me entregou a trufa e saiu correndo.

– Obrigada. - Quando respondi ele nem estava mais no corredor.

Abri a porta do apartamento e assim que entrei vi Kate se debatendo de tanto rir. Claro que ela deve ter visto a cena do espirro.

– Bem feito, se fodeu. - Kate ria.

– Cala a boca.

Caminhei até o banheiro, lavei meu rosto pra tirar os resíduos do espirro do individuo e voltei pra sala.

– O que ele queria? - Nathan perguntou.

– Ele me deu uma trufa. - Falei mostrando a mesma.

– Credo, vai que está envenenada - Max disse.

– Ou macumbada. - Completou Tom.

– Joga no lixo isso! - Nathan bufou tentando pegar a trufa da minha mão.

– Não disperdiça gente, é chocolate! Me dá isso aqui - Siva disse tirando da minha mão, abrindo e enfiando tudo de uma vez na boca. - Hm, que delicia. TO VIVO GENTE! - Ele riu.

– Por que ele te deu uma trufa? – Adam perguntou confuso.

– Minha bola de cristal ta quebrada, como vou saber? – Olhei pra ele.

– Será que não é ele que deixou aquelas coisas “anônimas” também? – Nathan perguntou pensativo.

– Coisas anônimas? – Todos nos olharam confusos.

Falei pra eles das coisas anônimas que recebi e eles ficaram confusos e riram da história. Logo veio Nathan com suas crises.

– O que falta agora? Aparecer um carro pra você? – Disse seco.

– Interessante, não é uma má ideia – Coloquei a mão no queixo e fiz cara de pensativa mas em seguida soltei uma risada.

– Uh, ele ficou irritadinho – Tom disse tirando o boné do Nathan.

– Devolve essa porra. – Ele disse tentando pegar o boné mais Tom não deixou e começou a rir.

– Vem pegar, vem. – Tom ria.

Após alguns minutos com a brincadeira Nathan pegou o boné e pois na cabeça, pude perceber que ele ainda estava irritadinho. Todos começaram a conversar, então fui até ele e sentei em seu colo.

– Por que você tá irritado desse jeito? – Falei colocando os braços em volta do seu pescoço.

– Não estou irritado. – Disse com a cara fechada.

– Ah você está sim que eu sei, anda pode falar. – Dei um beijinho na ponta do nariz dele.

– Essas coisas que você anda recebendo, cartas, flores, chocolate... Não gosto disso, era pra eu estar te dando isso, não um desconhecido. – Respirou fundo.

– Oh môdeus. – Falei com uma voz fofa. - Para de bobagem vai, eu estou cagando e andando pra essas coisas.

– Fiquei bolado com isso. – Fez uma cara engraçada que me fez soltar uma gargalhada.

– Ok, agora vamos esquecer esses acontecimentos e vamos fazer alguma coisa. – Propus.

Ele me olhou com uma cara maliciosa.

– Não. – Falei séria e ele começou a rir.

Alguns dias se passaram e coisas anônimas continuaram a chegar até mim. Ursinhos, mais flores, cartinhas, Nathan não gostava nem um pouco disso, toda vez que aparecia algo ele ficava irritado. Hoje eu tinha combinado de sair dar uma volta a tarde com ele, me arrumei: (http://tinyurl.com/9kjfa8k) e fui espera-lo em frente ao prédio, atravessei a rua e sentei na calçada com meus fones de ouvido. Vários minutos se passaram e nada de Nathan, pra variar.

• Capítulo 22

Revirei os olhos perante aquilo e disse para Max esquecer, se não nunca chegaríamos em casa, são e salvos.

Continuamos andando, ainda tínhamos um longo caminho pela frente. Pensamos em ir até o apartamento de carro, mas seria loucura com duas bêbadas no banco de trás. Aposto que fariam nós batermos o carro.

– Oi gatinho, me liga mais tarde. - Zoey disse parando em frente á uma loja e falando tudo enrolado.

– Zoey, o que você está fazendo? - Olhei pra ela.

– Fazendo amizade -pausa- Me liga ein. - Ela fez um telefone com as mãos e começou a rir.

– Com um manequim? - Ri e voltamos a andar.

– Mas ele parecia ser atraente.

Zoey foi em direção a Kate novamente e as duas começaram a cantar várias músicas misturadas, mas no estado delas parecia que estavam envocando o demônio ou fazendo algum tipo de macumba.
Depois de uma breve caminhada chegamos ao prédio e quando passamos pela recepção elas foram resolveram falar com algumas pessoas.

– Zoey, volta aqui! - Exclamei e ela me ignorou.

Ambas começaram a conversar com a recepcionista, Max e eu fomos atrás delas.

– Que batom você usa? - Perguntaram rindo. - Sabe, você devia sair com a gente qualquer dia. - Balbuciaram. - Assim, você pode pegar vários gatinhos HAHAHAHA. - Ainda por cima fizeram uma dança bizarra.

A recepcionista apenas ria e encarava elas com uma expressão confusa no rosto.

– Vem Zoey, vamos subir. - Falei puxando ela.

– Kate, deixa a moça trabalhar. - Max puxou ela também.

– Não Nathan, deixa a gente com nossa nova amiga aqui - Zoey me ignorou.

– M-M-Mas eu quero conversar com ela. Vou chorar! - Kate choramingou fazendo biquinho.

Arrastamos elas até o elevador, que fizeram questão de apertar trocentos andares diferentes. Até nós chegarem ao nosso andar, demorou um tempo.

– Vamos levar elas pra Emma? - Sussurrei.

– Não, é mancada. Olha o estado dessas duas crianças! - Max respondeu apontando.

Finalmente o elevador parou e fomos até a porte do nosso apartamento. Quando fui pegar a chave para abrir, percebi que as duas não estavam ao nosso lado. Cutuquei o Max, que se virou rapidamente e observou o lugar todo a procura delas.

– Nathan, como elas foram sumir?

– Não sei. Elas estão pior que o Tom bêbado, hiperativo.

Ouvimos alguns berros e risadas vindo da escada, elas ficavam descendo e subindo, toda hora.

Max foi correndo pegar as duas, enquanto eu entrava no apartamento para arrumar o banho. Como não achei nada, sai e fui atrás dele, percebi pelos gritos que ouvia do meu quarto, que elas estavam dando um show.

– Venham logo. - Sussurrou.

– O QUE? IR PRA ONDE? TO BEM AQUI. - Kate berrava.

– Calem a boca. Tem pessoas dormindo.

– Ok! Sssh.. - Zoey colocou o dedo perto dos lábios e sussurrou para Kate, que afirmou com a cabeça.

– Como um Purple Ninja Zoey.. - Kate sussurrou subindo as escadas.

Quando vimos, ambas estavam brincando de "ninja" bem no corredor as 3:30 da madrugada.
Essa foi a hora que paramos para refletir sobre o que vimos naquelas duas... Observávamos a cena e segurávamos o riso.
Katherine + Zoey + Bebida = Problema.

Logo elas se cansaram e entraram correndo no apartamento, indo em direção aos nossos quartos. Fomos atrás delas rapidamente. Quando entramos no quarto de Max, vimos Kate quase dando mortal em cima da cama. Max decidiu ficar em seu quarto, para tentar trazer Katherine para o banho. Fui fazer o mesmo com Zoey!


– Zoey, vamos tomar banho. - Gritei adentrando meu quarto.

– Não quero. - Ela estava jogada em cima da cama, com as cobertas cobrindo seu rosto.

– Você não tem que querer nada. Vem ficar limpinha! - Puxei elas, fazendo-a levantar. Fomos até o banheiro e quando chegamos lá, pude ver ela se agarrar com o batente da porte e choramingar.

– Nana.. Não quero tomar banho. Não gosto.

– Vem amor. - A puxei pela cintura, fazendo ela desgrudar. Já estava ficando sem forças, não aguentava mais ter que cuidar de Zoey.
Eu e Max enfiamos ambas debaixo do chuveiro que estava extremamente gelado. Assim que sentiram a água caindo sobre suas peles, começaram a gritar e tentar escapar do banho.

Max segurou Katherine firme, que só faltava tirar sangue do menino, pois suas unhas se encontravam gravadas nos braços dele.

Percebemos que não havia nenhuma toalha no banheiro e fomos pegá-las no quarto. Exatamente 5 minutos depois voltamos e por sinal, uma catástrofe tinha acontecido. Elas haviam tampado o ralo e agora chutavam a água que havia vazado do box por todo o banheiro e na gente.

Katherine e Zoey estavam brincando de lutinha dentro do box, quando alguma perdeu o controle e se apoiou na outra, as duas escorregaram e foram para o chão. Kate bateu seu b,raço aonde ficava os shampoos e acabou derrubando todos.
Max começou a rir e quando Kate percebeu que ele estava rindo dela, resolveu pegar o condicionador e tacar em sua cara.

– Toma essa calvice. - Gritou.

– Sua inútil. - Ele retrucou pegando a primeira coisa que viu pela frente para jogar nela.

As duas ainda estavam no efeito da bebida, começaram a rir novamente. Elas se levantaram meio cambaleando para o lado.
Estava distraído vendo se tinha alguma roupa no cesto, quando percebi que havia voado água em minhas costas. Me revirei e encarei Zoey que estava dando uma gargalhada sapeca enquanto jogava água em mim com seus pés.

– O que eu faço para você sossegar Barker? - Passei a mão pelos meus cabelos, tentando pensar em algo.

Finalmente tive a ideia de tirar Zoey do banho logo, nem com a água mais gelada que a ducha podia fornecer, ela parava quieta.
Sem que ela pudesse ver, enrolei ela na toalha por trás e a peguei no colo, fazendo a mesma se debater em meus braços.

– Nathan, você bebeu? - Ela gritava.

– A unica que bebeu aqui é você e exageradamente ainda por cima.

Até o caminho para meu quarto, Zoey ficou gritando, fazendo graça para descer e fugir de mim.
Assim que abri a porta, tratei de por ela em cima da cama, precisava procurar alguma coisa para vestir depois que tirasse a roupa ensopada.

– Não sai daí, eu já volto! - Sussurrei e ela assentiu.

Assim que me virei para ir até o guarda-roupa pude ouvir o barulho das molas vindo do colchão, Zoey estava pulando igual uma criança.
Ignorei aquilo, se não demoraria mais ainda pra bota-la para dormir.
Abri o guarda-roupa e fiquei caçando algo para por, uma bermuda minha, camiseta, alguma coisa.. Seca.

Me deu um súbito de vontade e catei minha blusa preferida escrito "Game Over" e uma bermuda qualquer.
Assim que voltei para perto da cama, vi Zoey ainda pulando e rindo. Quando eu falo que ela está sendo pior que criança, acreditem em mim.. Não estou exagerando.
Fiquei encarando-a até que notasse a minha presença.

– Ei, o que é isso? - Apontou para a camiseta que estava em minhas mãos.

– Seu futuro pijama, agora para de pular e se acalma.

– Estou sem sono, não vou dormir agora.

– Sério Zoey? Porra!

– Para de ser chato, até parece meu pai. - Choramingou. - Vem cá! - Ela parou de pular , me encarou e entrelaçou seus braços em volta do meu pescoço, ficando na altura exata. Zoey levou seus lábios até meu pescoço e começou a beija-lo.
Fechei meus olhos para me conter, ela estava bêbada, não sabia o que estava fazendo.

– Para Barker. - Falei tentando me concentrar e ficar com um tom de voz pelo menos convincente.

– Por que? - Ela sussurrou perto de meus ouvidos. - Eu sei que você quer..

Pior que queria mesmo, mas não com ela naquele estado, seria abuso.
Apenas tirei seus braços ao redor do meu pescoço e segurei suas mãos, olhando em seus olhos para ver se conseguia ser mais claro.

– Hoje não amor. - Dei um sorriso de lado, aproximei nossos lábios e deu um selinho rápido.

Zoey apenas fez bico e sentou na cama. Sentei ao seu lado e a mandei tirar o vestido. No começo ela implicou e disse que iria dormir assim mesmo, então, tive que arrancar aquela coisa grudenta a força.
Enfiei a camiseta nela, sem que pudesse exitar por um segundo.

– Vamos dormir agora.. - Tirei meu tênis sem desamarrar meu cardaço e arranquei minha camiseta logo em seguida, pois a mesma também estava encharcada.
Me deitei ao seu lado, arrumando o travesseiro para ela. Passei meus braços em volta de sua cintura, entrelaçando nossas pernas.

– Não quero dormir Nana. - Sussurrou com voz de criança, fazendo bico logo em seguida.

– Sssh! Fica quietinha que logo logo o sono vem. - Depositei um beijo em sua testa e comecei a fazer carinho em seus cabelos.
Zoey não parava nem deitada na cama, estava quase ajoelhando pra Deus e pedindo para me dar mais um pouco de paciência. Depois de longos minutos, ela finalmente pegou no sono, o que me fez soltar um suspiro aliviado.
ZOEY'S POV

Assim que abri meus olhos, senti uma dor imensa na minha cabeça. Sentei na cama e tapei meu rosto com as mãos, quando olhei em volta e raciocinei direito percebi que não estava no meu quarto e que estava com uma camiseta masculina. Pera, o que que está acontecendo? Por que estou com essa camiseta? Como eu vim parar aqui? Por que meu vestido estava jogado no canto do quarto? Ai minha cabeça!

Enquanto meu pensamento foi tomado por milhões de perguntas, ouvi a porta se abrindo, olhei pra mesma e vi Nathan entrando no quarto. Espera! Esse quarto era dele? A camiseta era dele? Passei a noite com ele? Por que não me lembrava de nada? Será que fui estrupada?

– Ah, já acordou - Ele sorriu se aproximando.

– SAI DAQUI! NÃO ENCOSTA EM MIM.- Falei inclinando meu corpo pra trás.

– O que houve? - Sua expressão era confusa.

– SAI NATHAN! VOCÊ ME ESTUPROU. - Aumentei um pouco o tom da minha voz.

– O que? Você tá maluca? - Ele começou a rir.

– Não ria seu tarado! - Dei um tapa nele.

– Você acha que eu seria mesmo capaz disso? - Ele disse recuperando o ar, colocando a mão sobre o queixo e me encarando.

– Não sei, me de outra explicação! Estou no seu quarto, com uma camiseta sua, meu vestido jogado no canto do quarto.... ? - Cruzei os braços.

– Você não lembra de nada de ontem de noite? - Me encarou sério.

– Não!

Então ele me contou tudo o que aconteceu noite passada.

– Então tá explicada minha dor de cabeça - Falei botando a mão na mesma.

– Você tá com dor?
Parece que um trator passou pela minha cabeça e tem uma construção aqui dentro.

– Não é pra menos, você e a Kate beberam como se o alcool fosse acabar pra sempre. - Soltou um leve riso.

– Mas não me lembro de nada. - Suspirei. - AI QUE DOR DESGRAÇADA ARRRG! - Falei me deitando e colocando o travesseiro sobre a cabeça.

– Quem mandou beber igual uma.... coisa!

– Cala boca e vai buscar remédio. - Ordenei, chutando ele para fora da cama.

Nathan saiu do quarto bufando, depois de algum tempo voltou com um copo de água e uma aspirina.
Me sentei e tomei o remédio, logo em seguida ele voltou a falar como é imaturo eu ficar bebendo feito uma louca por ai, que se ele não estivesse junto alguém poderia ter feito algo, já que não conheço muito bem os britânicos... Nhenhenhenhe, toca aquela ladainha de preocupação.

Revirei os olhos e fiz cara de nojo, não estava aguentando nem o barulho do rangir de meus dentes, imagina ficar aturando um menino falando na minha orelha enquanto minha cabeça fazia cosplay da sapucaí.

Voltei a me deitar e virei de lado, pegando toda coberta existente em cima da cama para me cobrir.
Nathan ligou a TV, colocando no mudo e se deitou na cama que havia ao lado.


Acabei cochilando novamente e quando acordei olhei pro lado e vi que o Nathan tinha pegado no sono, levantei cuidadosamente da cama, saí do quarto e fui até a cozinha pegar um copo de agua. Quando estava tomando a água eis que surge Max.

– Olá bebada - Sorriu.

– Não estava bêbada, ok? - O encarei.

– Você falou com um manequim ontem e perguntou se ele queria sair com você. - Começou a rir.

– Tchau Max, vai lá com a Kate. - Sai rindo da cozinha.

– Sua amiga esta me explorando agora, por favor. - Ele gritou rindo.

– Cala boca, fala baixo. - Gritei em resposta enquanto abria a porta do quarto.

Observei Nathan que dormia com aquela bunda enorme para cima e quase estava babando, então, como não tinha nada mais útil para fazer, resolvi acorda-lo. Só que com o modo Baker.

Pulei em cima dele, pegando seu tênis que estava de baixo da cama. Olhei para os dois e soltei um riso baixo, fiz questão de enfiar o sapato no nariz do Nathan, que acordou assustado, espirrando, arrancando o mesmo da minha mão e arremessando longe.

– Qual é o seu problema, Zoey? - Ele berrou. - Caralho menina. Você ainda ta sóbria?

– Claro que estou e não grita comigo, seu monte de merda. - Belisquei seu braço fazendo o gritar de novo. - Você esta com a macaca hoje, já percebi. Nem "doente" tu para quieta. A Convivência com o Thomas ta te deixando hiperativa demais. - Ele falava fazendo sinal de negativo com a cabeça e passando a mão por onde tinha beliscado.
Fiquei em cima dele por algum tempo, o irritando, quando ouvi Kathe me chamar, levantei rapidamente puxando Nathan comigo até a sala.