- Não se lembra mais de mim? - A garota alta de cabelos compridos e loiros se aproximou mais de mim.
- C-claro que lembro, Valerie. - Falei sem expressão.
Ainda estava em choque com o reencontro. Valerie é minha ex namorada, que me deixou para ir morar no Brasil.
- E aí, tudo bem? - Sorriu.
- Tudo. Você não estava morando no Brasil? - Perguntei confuso.
- Estava... Mas sabe Max, eu tive que voltar, não conseguia mais ficar lá.
Minha expressão ainda continuava confusa, o que ela estava dizendo não fazia sentido.
- Sem rodeios, vou direto ao ponto. Voltei por causa de você - Ela soltou a frase uma vez, me fazendo arregalar os olhos ao ouvir.
Não era possível, isso não estava acontecendo. Como ela voltou por minha causa? Quando ela me disse que iria pra lá, eu implorei pra ela ficar aqui comigo, mas parecia que ela não dava a minima pra mim.
- O que? - Foi a unica coisa que saiu da minha boca.
- Eu voltei porque eu te amo Maximillian Alberto George.
Aquela frase veio como um choque. Eu amava a Valerie, mas depois que ela me deixou, apareceu a Katherine, que bagunçou totalmente minha cabeça, meus sentimentos me fazendo esquecer tudo que eu sentia pela Valerie, me fazendo sentir o amor novamente. E agora Valerie aparece do nada, dizendo que voltou por que me ama e fazendo milhões de perguntas invadirem minha cabeça, colocando em duvida todos meus sentimentos sobre ela e também sobre Katherine.
- Você pode até ter tentado me esquecer, mais eu te garanto que dos meus pensamentos e do meu coração, você nunca saiu, e por mais que não pareça, por mas que eu nunca tenha demonstrado, eu ainda sinto falta de você, de te abraçar e dizer que eu te amo. - Ela dizia calma.
Eu continuava sem reação, não sabia o que pensar, o que falar muito menos o que sentir. Eu realmente amava Katherine? Eu ainda amava a Valerie? Ela realmente me ama?
- Valerie, eu não sei o que te dizer. - Coloquei minha mão na minha nuca.
- Não precisa dizer, só me ouça. Eu quero que voltemos a ser como eramos antes de eu ir pro Brasil, você se lembra de como eramos felizes? Todos os momentos que passamos juntos? - Ela sorria. E um filme do meu passado passou pela minha cabeça.
- Quando levávamos os cachorros dos meus vizinhos passearem? - Ela soltou um leve riso.- Ou então, quando passamos aquele final de semana maravilhoso na casa de campo da minha avó? - Senti o leve toque de malicia em sua voz.
A cada frase que ela dizia, só servia para me deixar mais confuso. Apesar de tudo que passamos juntos e do que eu sentia por ela, eu lembro que a maioria das pessoas á minha volta falavam, que ela não me amava igual eu a amava. Nathan não suportava Valerie, ele vivia dizendo que eu só ia me foder na vida se continuasse com ela, mas nunca dei ouvidos á ele, sempre estive cego de amor por ela. Quando Valerie me deixou, ele ficava falando "Eu te avisei, tá vendo, tomou no cu". Mas a questão é que eu não sei mais o que estou sentindo.
- E-eu preciso ir, Valerie - Disse respirando fundo.
-
Eu vou te procurar novamente, Max. - Ela sorriu se aproximou de mim deu um beijo no canto da minha boca e saiu andando.
Fiquei parado ali por mais uns cinco minutos e voltei pro apartamento ainda meio atordoado por conta do que tinha acontecido. Fui para o meu quarto e me sentei na cama, vagando em meus pensamentos.
XxxXxxXx
Quase duas semanas depois do meu primeiro encontro com a Valerie eu tive uma discussão horrível com Katherine. Eu estava ficando transtornado com tanta confusão na minha cabeça sobre meus sentimentos. Eu não sei mais o que faço da minha vida. O que eu sinto?
Simplesmente não sei responder. Eu já não sei de mais nada, está tudo tão confuso, minha cabeça está uma loucura, o passado é sombrio e sempre da um jeito de se misturar e atormentar o presente. Valerie me mandou uma mensagem, para nos encontrarmos no Starbucks e lá fui eu. Quando cheguei a avistei sentada numa mesa, me aproximei e sentei á sua frente.
- Max, temos que resolver nossa situação...
- Eu sei.
- O nosso caso foi uma paixão mal resolvida, um amor mal acabado. - Ela me olhava com uma expressão calma. - Eu te amo e você me ama, nada nos impede de ficarmos juntos, é assim que tem que ser.
Eu estava cabisbaixo, pensativo. Eu podia sim ainda sentir algo por Valerie, mas não é como antes, a paixão esfriou o amor foi acabando aos poucos, mas agora que ela voltou parece que tudo ascendeu um pouco novamente. Mas eu também sinto algo muito forte por Katherine, muito mesmo. Mas acho que nada supera oque eu tive com a Valerie.
- Max, eu sei que você ainda me ama e nunca me esqueceu, pode até ter tentado com outras garotas mas nunca vai dar certo.
Valerie estava fazendo um pressão enorme para voltarmos, cada minuto que passava eu ficava na esperança de alinhar meus pensamentos, mas acontecia justamente o contrario. Quando me dei conta, ela já estava me beijando. De verdade? Não sei o que senti com o beijo.
Algum tempo depois, levei ela comigo para o apartamento. Sentamos no sofá e ficamos conversando. De uma maneira estranha, acho que tínhamos voltado. Ouvi a porta sendo aberta, olhei para a mesma e vi Nathan adentrando o comodo.
- Entrei no inferno e não to sabendo. Tem um demônio na sala. - Ele disse parado olhando pra Valerie.
- Quanto tempo, saudades Nathan - Valerie sorriu.
- Saudades o caralho. Max, o que esse monte de merda está fazendo aqui?
- Menos Nathan, ela esta comigo agora.
A expressão de Nathan foi de completa desprezo.
- Você gosta de um chifre em Maximillian? - Ele me encarou. - Você é burro ou o que?
- Nathan, não se mete na minha vida. Eu sei muito bem oque estou fazendo com ela!
- Tudo bem, se quer ser o corno manso da historia quem sou eu pra contrariar? Mas depois não venha se lamentando pra mim.
Quando fui responder, Tom apareceu.
- Mas olha só, adotou uma cadelinha de novo, Max? - Tom parou ao lado de Nathan cruzando os braços.
- Paciência tem limite, vão tomar no cu vocês. - Me levantei e puxei Valerie pra fora do apartamento comigo.
Valerie's POV
Max me levou até a área da piscina e nos sentamos numa mesinha que havia em baixo de um guarda sol, ele colocou seu celular em cima da mesma. Por curiosidade, peguei e comecei a ver as fotos. Havia varias fotos dele com a mesma garota.
- Max, quem é essa fulaninha? - Ele olhou para o visor do celular e ficou em silêncio. - Ein? Responde!
- E-ela é... deixa pra lá. - Balançou a cabeça como se estivesse se livrando de algum pensamento ou lembrança.
- Ô menininha zoada. - Fiz uma careta. - Olha esses poros, esse cabelo, esse corpo.. Credo, que escrota. Parece uma caminhoneira.
- De quem ela esta falando? - Tom apareceu.
- Dessa escrotinha. - Mostrei a foto.
- Francamente Valerie, se olhe no espelho antes de criticar a Kate.
- Kate? Quem?
- A da foto. - Ele revirou os olhos. - Max só vim aqui pra falar que vou sair com o pessoal. - Thomas falou em um tom seco e Max só assentiu permanecendo em silêncio, pensativo. Não demorei muito e me aproximei dele e o beijei.
Katherine's POV
Haviam passado algumas semanas da minha ultima briga com Max, estava focada nos estudos, sempre quando saia eram com Tom e Jay que faziam de tudo para me fazer rir, porém, não era tão necessário desse jeito.
Eu e Zoey estavam a caminho do colégio, observando as ruas e as decorações para o Halloween, afinal, faltavam apenas duas semanas. No Brasil não tínhamos isso, é bem legal viver outra cultura, naquele momento estava me sentindo uma britânica por seguir os costumes deles.
- Bom dia garotas. - O cara da banca de revistas disse com um largo sorriso no rosto e assentimos cumprimentando.
Assim que chegamos no colégio, o corredor central estava uma loucura, tinha vários cartazes espalhados falando sobre um tal concurso. Zoey se abaixou e pegou um que tinha caído no chão, lendo e voz alta logo em seguida:
- "Formandos do terceiro colegial, vocês poderão organizar o Halloween do nosso colégio Claremont McKenna High School. Entreguem o projeto com as ideias até sexta-feira, os melhores irão para votação para que todos possam escolher o seu preferido. Que vença o melhor!"
- Vamos fazer, né? - Falei empolgada.
- Não sei, precisamos pensar direito. - Respondeu mordendo o lábios inferior, encarando o cartaz ainda em suas mãos.
- Ah Zoey Baker, nós faremos sim. Deixa eu guardar isso. - Ela me entregou o cartaz e eu enfiei na bolsa. Continuamos a andar até nossa sala e os comentários tinham um único foco: "Será que Savannah vai ganhar esse ano novamente?"
Avistamos Elena na porta nos esperando, corremos até ela assim que acenou.
- Oi. - Sorriu.
- Olá. - Respondemos.
- Esse colégio vai voltar a ficar o caos. - Revirou os olhos. - Todo mundo vai participar desse tal concurso, mas ninguém nunca conseguiu superar as ideias da Savannah.
- Você ta pensando o que estou pensando Baker? - Encarei Zoey com um sorriso sarcástico estampado no rosto.
- Não, não Katherine. Ainda está com a ideia de participar disso?
- Óbvio.
Entramos para a aula e Zoey ficou me atormentando para eu desistir dessa ideia idiota de Halloween, porque Savannah sempre ganhava, todos tentavam supera-la nas ideias, mas ninguém era capaz.
Então, durante as primeiras aulas arranquei uma folha do meu caderno e fiz o esboço de toda a decoração, coloquei minhas melhores ideias. Tudo o que queria fazer no Brasil, mas não tinha como.
Coloquei nossos nomes sem elas verem e deixei na mesa do professor enquanto todos faziam lição, ele que era responsável por entregar a ideia para o diretor.
Logo o sinal tocou para sairmos pro intervalo, mas antes disso o diretor anunciou no auto-falante que iria dizer o vencedor do projeto na próxima aula. O colégio ficou uma euforia, todos foram para a sala de teatro onde os diretores, professores, estavam para o "grande" anuncio.
- Bom, não sei por onde começar... - O diretor se levantou. - Pra ser sincero, todas as ideias estavam magnificas. Mas.. Não podemos usar todas, mesmo se quiséssemos.
Os alunos começaram a cochichar curiosos, afinal, além de ser A festa, valia ponto nas matérias.
- Tivemos mais de 70 projetos, mas só um nos chamou a atenção. - Ele continuava a falar. Encarei a Savannah que estava toda festejando lá com seu bando de cadelinhas .
- Chega de papo, fala logo. - Alguém do fundo gritou.
- Tudo bem, tudo bem.. - O diretor soltou um riso. - Sem mais delongas a ideia ganhadora foi a de Katherine Russel, Zoey Baker e Elena Bargamo.
O que? Impossível. Logo todos os olhares se voltaram para nós, principalmente o de Savannah que só faltou me comer viva com aqueles olhos arregalados. Logo após do anuncio, os alunos aplaudiram, principalmente os meninos do futebol que vieram nos cumprimentar depois.
Fomos falar com o diretor e logo depois saímos, Zoey e Elena estavam praticamente chorando de tanta alegria.
- Como você conseguiu? Por que não nos falou?
- Coloquei tudo que vinha na minha cabeça, e não falei porque certas pessoas não queriam, né? - Ri.
- Nos desculpa? - Elena fez uma cara fofa.
- Não. - Fechei a cara e sai andando.
- Mais nossa... - Zoey veio atrás de mim chorosa.
- Parem de ser burras, é claro que desculpo, nem precisava pedir. - Falei abraçando as duas.
Nossa ultima aula era educação física, infelizmente tínhamos que fazer, era vôlei. Nos dirigimos até o vestiário e trocamos de roupa, para variar estávamos atrasadas porque ficamos vendo os meninos do futebol brincarem com água no campo. Valeu a pena.
O jogo já tinha começado, por uma ironia do destino, o professor nos colocou no time adversário de Savannah. Isso seria bem divertido. O jogo começou a rolar, por um milagre ela era boa, porém, nosso time tinha algumas vantagens, nele estava a menina que foi representando a escola nas competições britânicas de vôlei, mais uma que Savannah odiava.
- Essa é minha. - Gritei avançando na bola e dando um tapa.
- Ai! - Berrou.
- O que foi? - Perguntei indo até a rede.
- A bola que você mandou acertou minha testa, sua vadia. - Savannah sussurrou passando a mão na cabeça.
- Sério? Que peninha. Quer que eu vá pegar gelo? - Fiz uma cara de desinteressada.
- Inútil. Estou saindo do jogo. - Ela levantou gritou e deixou a quadra.
- O que houve? - Elena e Zoey vieram em minha direção.
- A bola que mandei acertou ela, ai ofereci gelo e a menina fica assim, vai saber. - Ri.
- Aham, ta, gelo. - Elena me encarou.
- Você sabe né... ofereci do meu jeito. - Caímos na risada e deixamos a quadra também.