segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

• Capítulo 38



Zoey's POV

Estávamos na época das provas finais e como sempre o desespero me dominava.

- Amanhã tem prova de física! - Falei com um ar de preocupação.

- Relaxa vai dar tudo certo. - Elena sorriu.

 - Você diz isso que porque sabe a matéria né. - A encarei enquanto pegava minha mochila e saia da sala.


- Eu te ensinaria hoje a tarde, mas tenho compromissos. Você sabe o que vai cair não sabe?


- Sei, minhas lágrimas de desespero. - Falei séria o que a fez rir.

Katherine rebelde matou a ultima aula e estava nos esperando no portão. Nos despedimos de Elena e fomos embora. 

 - Vou passar a tarde estudando, mas que merda. - Falei fechando a porta do quarto.


- Se eu soubesse algo, te ajudaria. - Kate riu.


- Eu sei disso.

- Olha, vou ficar aqui quietinha, na internet enquanto você estuda.


- Ah que vida boa né, eu quebrando a cabeça e você ai na internet.

- Se fodeu - Riu.

 Me sentei no chão, peguei meu estojo, caderno, livros, apostilas o caralho a quatro, respirei fundo e tentei me concentrar em uma coisa: força eletrostática  Comecei a ler, pesquisar e a tentar resolver exercícios  Mas nada adiantava eu continuava sem entender. Três horas depois e nada. Eu precisava entender aquilo, eu dependia dessa nota pra passar de ano. Odeio números, odeio contas, odeio números com letras em contas.


- Cara, me diz onde vou usar isso na minha vida? - Perguntei jogando minha caneta no chão.


- Boa pergunta. Está conseguindo?. - Kate me olhou.


- O que se acha? - Falei seria.


- Que não. - Riu.


- Não vou desistir. Eu vou conseguir. - Respirei fundo e voltei toda minha atenção para aquela merda de novo.

Mais duas horas e nada daquilo entrar na minha cabeça. Eu já estava entrando em desespero por não entender um exercício que seja.


- AAAHHHH!!!!! - Gritei rasgando e amassando as folhas do caderno.


- Meu deus, que isso? - Kate perguntou assustada.

- CHEGA! CANSEI, DESISTO NÃO QUERO MAIS FÍSICA  - Me levantei do chão e sentei de braços cruzados na cama bufando.


- Respira... Inspira. - Disse tentando me acalmar.


- Velho não dá, já estou aqui quebrando a cabeça a quase 6 horas seguidas e não entra na minha cabeça. - Apoiei meu cotovelo em minhas coxas e minha cabeça em minhas mãos. - Que saco! - Falei com a voz falha.


Eu estava com vontade de chorar. Chorar de raiva. Esse é um dos meus defeitos chorar quando estou com raiva, desesperada.


- Calma! Não chora! - Kate deixou o notebook de lado.
- Deus por que não nasci a genia da física? - Respirei fundo.


- Espera, eu já venho. - Kate saiu correndo do quarto.


Katherine's POV
Zoey estava realmente entrando em desespero por não entender a matéria  ela sempre foi assim. Eu a ajudaria porem não sei nada também, mas por milagre não preciso de nota em física se não estaria em desespero também. Decidi ir até o apartamento dos meninos e chamar Nathan para ajuda-la.


- Ô de casa!! - Falei batendo na porta.


- Ô de fora! - Siva abriu a porta rindo. - Entra, Kate. - Deu espaço pra eu passar.


- Veio me ver? - Max sorriu convencido após sair da cozinha.


- É... Não. Cadê o Nathan?


- Está me trocando pelo Nathan, Katherine? - Fingiu indignação.


- Não, vou te trocar pelo Jay. - Falei mandando um beijo no ar pra Jay que fingiu pegar. 


- Olha que te troco pelo Thomas. Né querida? - Afinou a voz.

- Claro, minha delicia - Tom passou a língua nos lábios rindo.


- Tá, cadê o Nathan? - Ri perguntando novamente.


- Quem me chamas? - Apareceu descendo as escadas. - Ué...Pensei que a Zoey estava aqui. - Falou depois de rolar os olhos pelo local.


- Exatamente por isso vim aqui te chamar.
Ele me encarou confuso.


- Ela esta lá em baixo, sofrendo quase chorando. Vamos. - Puxei ele pelo braço.


- Kate, como assim sofrendo quase chorando? - Perguntou preocupado assim que entramos no
elevador.

- Pela física! Vá ajudar sua namorada.
Assim que ele entrou no apartamento eu voltei pra cima. Não ia ficar lá de vela.


Zoey's POV

Katherine me deixou surtando com a maldita física e saiu. Tentei entender mais uma vez a matéria e não consegui, qual minha próxima opção? Isso mesmo! Sentar e chorar. Era o que eu estava quase fazendo quando a porta do quarto se abriu.


 - Kate, não dá mais... - Choraminguei.



 - Oi. - Nathan se encostou no batente da porta com os braços cruzados e com um sorriso fofo estampado em seu rosto.



 - Olá. - Sorri ao vê-lo.



 - Problemas com a física?



 - Sim, como você... Ah, Katherine, claro! - Ri logo após refletir e entender o motivo de sua saída.



 - Posso tentar ajudar? - Se aproximou sentando-se ao meu lado no chão.

- Sim, por favor!


 Pegamos todas as coisas novamente, já que eu tinha espalhado tudo pelo quarto, quando minha paciência tinha esgotado. Ele lia e relia os parágrafos fazendo caretas confusas ao tentar entender.

- Ok, vamos lá. - Respirou fundo e fechou os olhos na tentativa de se concentrar, o que acabou me fazendo rir.



 Pegamos exercícios variados e ele tentava explicar, porem não era nada fácil entender. Até umas mimicas malucas ele começou a fazer. Nada adiantava, já estava me sentindo na família dos anos.



 - Nathan, não da. Tem tipo, uma barreira na minha mente que impede as passagens dessas informações desnecessárias.



 - Calma, vamos dar um jeito e você vai entender, fica vendo. - Alisou meu rosto com um sorriso confiante. - Vamos tentar mais uma vez. - Disse com toda paciencia do mundo.

Meia hora depois...


 - Se eu falar que não entendi, você vai me bater? - Falei segurando o riso.



 - Burrinha! - Apertou minhas bochechas e dando um riso leve.

Em resposta mostrei a língua pra ele. E mais uma vez, tentou me explicar a matéria.


 - Cara, da onde você tira tanta paciência comigo? Se fosse eu no seu lugar, já teria desistido de explicar. Iria considerar um caso perdido.



 - Por que eu te amo. - Ele me encarou sorrindo, senti minhas bochechas queimarem de leve. - E quero te ajudar a ir bem na prova, eu sei que você tem capacidade de tirar um A.



 Eu não sei se isso era possível, mas a cada frase que ele pronunciava, cada minuto a mais que eu ficava com ele parecia que só servia para me fazer amá-lo mais e mais, de uma forma absurda. Da onde sai tanto sentimento? Era incrível a maneira de como um simples sorriso dele me acalmava ou um olhar me passava confiança. 

Depois de mais algumas explicações dele, parecia que a tal barreira que tinha na minha mente, foi quebrando, então eu comecei a entender e tudo começou a fazer sentido. Nathan colocou alguns exercícios numa folha do caderno e me entregou para que eu pudesse resolver, alguns minutos depois eu terminei e entreguei a ele para que visse se estavam certo ou não. Ele ficou observando a folha por longos minutos com uma cara pensativa, cerrando os olhos só pra fazer suspense.



 - Me fale logo se acertei ou não, por favor! - Praticamente supliquei e ele deu uma gargalhada. - Pare, não é engraçado. - Apontei meu dedo indicador em sua direção.

- Eu disse que você tinha capacidade. - Abriu um sorriso enorme.


 Então quer dizer que eu tinha conseguido? Erguei as mãos e dai gloria Deus!



 - ACERTEI TUDO? - Perguntei de boca aberta e ele assentiu sorrindo.- Já posso até ouvir o coro de aleluia! - Suspirei aliviada.



 - Quer tentar fazer mais uns dois só pra reforçar?



 - Não, não. Que mané reforçar, o que eu sei já ta de bom tamanho. - Falei arrumando todos os livros, cadernos e afins que estavam ali no chão e colocando em qualquer canto do quarto.

Me espreguicei sentindo uma dormência em meu traseiro por ter ficado sentada no chão por tanto tempo e também senti o cansaço mental tomar conta de mim, fazendo meus olhos ficarem menores e me incomodando como se tivessem pequenos grãos de areia dentro dele.


 - Nathan, de verdade obrigada! - O encarei sorrindo- Se não fosse você, eu estaria ferrada na prova de amanhã.



 - Não precisa agradecer, você sabe que sempre vou te ajudar no que precisar. - Selou nossos lábios.



 Demos inicio a um beijo lento e carinhoso. Ás vezes eu achava que tinha momentos muito melosos com Nathan, cheios de nhenhenhe... Antes vivia falando que isso era gay que não sei o que, mas sabe, depois que você se apaixona você acaba fazendo essas coisas sem perceber e acaba até gostando. Só que nada muito extremamente exagerado, já que tudo em excesso enjoa.



 - Vejo que já acabaram a sessão de estudos? - Kate adentrou o quarto interrompendo nosso beijo. - Deu resultado?



 - Claro que deu. - Sorri olhando pra Nathan.



 - Fico feliz. Tá vendo, se não fosse por mim ter ido lá em cima chamá-lo...



 - Ah nossa, obrigada Katherine salvadora da pátria. - Falei num tom irônico rindo depois.



 Ela apenas me lançou um olhar sério. Fiquei mais alguns minutos conversando com Nathan, mas ele disse que ia embora, pois percebeu meu cansaço, depositou um beijo na minha testa, me desejou boa sorte pra prova e saiu do quarto. Tomei um banho rápido e desmaiei na cama.

A prova seria na terceira aula e já estávamos no final da segunda.


 - E se me der branco? - Falei preocupada olhando pra Elena e Kate.



 - Cala a boca, não vai dar branco merda nenhuma. - Kate bateu seu caderno em mim.



 Quando o sinal bateu e o professor adentrou a sala de aula, me deu um leve frio na barriga. Enquanto ele entregava a folha de prova para os outros alunos eu fiquei batucando a caneta sem parar na mesa e meu pé batia repetidamente no chão.



 - Para com isso, caralho! - Elena virou pra trás.



 - Desculpa. - Mordi os lábios.


Assim que a folha de sulfite impressa ainda quente foi colocada em cima da minha mesa tive uma vontade de sair correndo. Peguei minha caneta e preenchi o cabeçalho corretamente, respirei fundo e comecei a ler as questões, eram três no total, uma valendo 4 pontos e as outras duas valendo 3 pontos. Merda, como que faz esse troço mesmo? Eu sabia que ia dar branco, sempre acontece.

 Ok Zoey, respira, concentra... Lembra do Nathan ontem te explicando. Fechei os olhos consultando minha memória tentando lembrar das inúmeras explicações que Nathan fizera. Droga, droga! Cérebro qual é, não me deixa na mão agora. Depois de passar quase metade da aula tentando lembrar de algo, do nada tudo retornou á minha mente, como se tivesse apertado algum botão que me fizesse recordar de todas as palavras e mimicas que Nathan fez ontem. 

Numa fração de segundos, comecei a fazer todos os exercícios sem parar, me concentrando nas contas. Quando o sinal bateu eu tinha acabado de fazer a última conta, pura cagada. Respirei aliviada, os músculos da minha mão e do meu antebraço estavam até doloridos.  O professor passou recolhendo as provas e se retirou da sala. Tinha me dado até dor de cabeça, apoiei minha cabeça na mesa e fechei os olhos. O pior já tinha passado, ou não, agora era só esperar minha nota.



 - E aí, como foi? - Ouvi Elena e Kate perguntarem.



 - Fazer eu fiz, agora seja o que Deus quiser. - Falei sem levantar a cabeça ou se quer abrir os olhos.



 Provavelmente a professora da próxima aula já devia ter adentrado a sala de aula, já que todos ficaram em silêncio. Assim que ela pronunciou um "Bom dia, alunos" eu pude ter certeza que conhecia aquela voz. Vasculhei minha memória tentando recordar quem tinha a voz daquele jeito... NÃO! NÃO PODIA SER! A voz dessa mulher era idêntica a da Valerie, o que ela ia estar fazendo aqui na escola? Fiquei com um certo medo de abrir os olhos e erguer a cabeça pra confirmar minha opinião.



 - Você ai, sala de aula não é local de dormir! - Senti a frase direcionada á mim.



 Minha vontade era de ter um revolver nesse momento, pra estourar a cabeça dessa mulher. Levantei a cabeça lentamente e me encostei na cadeira cruzando os braços a encarando sem expressão. Assim que ela percebeu que era eu, deu um sorriso forçado, olhou ao meu lado e viu Kate que mexia em seu celular distraidamente.



 - Sala de aula também não é lugar de celular. - Encarou Kate.



 Claro que assim que Valerie percebeu que eramos Eu e Kate ali, a primeira coisa que ela pensou foi "Agora elas tem que me obedecer".  Katherine a encarou sem expressão igual á mim e voltou a mexer em seu celular ignorando totalmente Valerie.


Valerie irritada por Kate ter a ignorado, andou até ela pegando o celular e colocando em cima de sua mesa. Kate apenas se levantou, sem pronunciar uma palavra, pegou o celular de cima da mesa e se retirou da sala. 

 - Ousada. - Elena comentou soltando um riso leve.

 Valerie começou a falar umas coisas nada a ver lá na frente, ninguém estava prestando atenção nela, mas a sala continuava em silêncio. Acho que se eu começasse a contar todos os meus fios de cabelo seria menos torturante e mais divertido do que ficar ouvindo ela falar nada com nada durante cinquenta minutos. Tombei minha cabeça pra trás e deslizei um pouco na cadeira bufando, alto o suficiente pra ela ouvir e direcionar seu olhar até mim.


- Algum problema, Baker? - Cruzou  os braços séria.

 - Não, só não estou afim de olhar pra sua cara mesmo. 

 - Você pensa que está falando com quem? 

 - Com uma mera professora substituta que não faz peso na minha vida. - Dei um sorrisinho sem mostrar os dentes.

 Ela provavelmente iria me xingar ali, mas como não podia, apenas respirou fundo pra se controlar. 

 - Olha, você me deixou magoada falando assim, querida. 

 Querida... querida... Essa frase dela estava transbordando falsidade. Ela começou um discurso, tentando me dar uma "lição de moral", dizendo que eu devia ser mais educada, que não devia sair falando essas coisas que podem magoar alguém... puro blá blá blá. Apenas cruzei os braços e fiquei encarando ela com um sorrisinho irônico nos lábios. 

 - Que ótima sua opinião, porém ela é tão inútil quanto a sua existência - Falei apoiando meus cotovelos na mesa..- Quando terminei a frase o sinal bateu. Rapidamente ela pegou suas coisas e saiu da sala, com uma cara nada boa. Insuportável. Saí com Elena da sala, já que era intervalo e fomos procurar Kate.

Por milagre as aulas seguintes foram rápidas e já era hora da saída, voltamos para a casa, almoçamos e fomos para o centro nos encontrarmos com Elena e comprarmos as coisas. Passamos a tarde inteira na correria pra dar tempo de comprarmos tudo, eram bastante coisas. Faltava poucos minutos para anoitecer quando voltamos para o apartamento junto com Elena, claro, entupidas de sacolas, foi difícil até pra pegarmos o elevador. Nem pagando eu subiria escadas com aquilo tudo. Entramos em casa e deixamos tudo no quarto.


- Estou morta! - Me joguei na cama.


- Bem que eu queria faltar amanhã na escola. - Kate disse afundando a cara em seu travesseiro.


- Querer não é poder! - Elena riu.- Vou indo, tchau pra vocês.


- Duvido que você vai embora! Vai subir lá ver o Siva que eu sei. - Ri.


- Eu? Claro que não, Zoey. Para com isso. - Ela riu me dando uma almofadada.


- Ahhhhh Siva! - Kate disse num tom de malicia.


- Ai gente, tchau pra vocês - Elena deixou o quarto rapidamente.


- Pensa que engana.


- Ahhh Elena - Kate riu.

No outro dia, chegamos na escola e fomos levar as notas fiscais das compras com o cartão pra moça que cuidava da parte financeira, sim eles nos deram um cartão ao em vez de dinheiro. Quando comecei a olhar, percebi uma coisa.


- Kate, fodeu. - Falei com a mão na boca.


- Ai senhor, o que que foi?


- Gastamos mais que o limite.


- Você está zoando?

- Não! O nosso orçamento passou da conta - Mordi meu lábio inferior.


- Ai deus, se prepare para um sermão do diretor.


- Merda!!!

Assim que a moça percebeu que havíamos passado do limite, imediatamente comunicou o diretor que nos chamou na sala dele e como Kate disse ele nos deu um sermão gigante e também disse que se os alunos não gostassem da festa ou alguma coisa, que fosse minima, saísse errada íamos ter uma conversa séria com ele depois. Ótimo  Quando o período de aulas acabaram, ligamos pra Emma e avisamos que ficaríamos direto na escola e se era possível ela trazer nossas sacolas e claro como ela é um anjo de pessoa disse que levaria sem problemas. Ficamos no portão esperando e quando ela apareceu, Kate, Elena e eu pegamos tudo.


- Obrigada Emma, até mais tarde. - Nos despedimos e entramos na escola.


Deixamos as sacolas no ginásio e fomos almoçar numa lanchonete que tinha á duas quadras do colégio. Quando voltamos, Kate e Elena foram correndo começar a organizar as coisas, elas estavam animadas. Eu me deitei na arquibancada do ginásio e fiquei lá com a cara da derrota, ir e voltar da lanchonete pra escola havia me cansado.


- O cu de preguiça, dá pra vir ajudar? - Gritaram.


- Ta osso. - Ri.


Minutos depois me levantei e fui até elas. Começamos a organizar as coisas, quando ouvimos alguém nos chamar la de fora.


- Ué, quem que esta chamando? - Elena se levantou.


- Vamos lá fora ver.



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